quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Tempos novos





Com os resultados alcançados nas últimas eleições autárquicas, o partido do poder vai forçosamente estar mais atento à Oposição, começando por manifestar uma maior abertura às propostas que dela vierem para, consequentemente, ganhar dela algum apoio, de modo a dar mais credibilidade às suas resoluções.

Poderíamos seguidamente analisar a conjugação de factores que levaram à diminuição de votantes na CDU mas deixamos isso para os verdadeiros analistas que, muito justamente, são pagos para esses raciocínios elaborados. Ainda assim, e com uma margem menor do que há quatro anos, a CDU vai continuar a gerir os nossos destinos, com a colaboração, espero, do PS, que se junta a eles com três vereadores no Executivo.

O Partido Socialista mostrou-se satisfeito com o passo dado em frente, ao ter conseguido diminuir a diferença em termos de votos que o separava da CDU. Contudo, e já sei que não terei muito apoio dos vereadores rosa nesta minha insistência, a possível não-aceitação de pelouros por parte dos socialistas escolhidos pelo povo acabará por limitar a acção desses eleitos e poderá desiludir (mais uma vez) algumas facções do seu eleitorado.

Por seu turno, o CDS conseguiu, contra ventos e marés, aumentar o número de eleitos, o que lhes trouxe uma maior confiança e um espaço mais confortável para poderem apresentar e defender os seus projectos.

O PSD ficou muito aquém do esperado. Creio que o próprio partido acabou por desistir da candidata que, corajosamente, lutou até ao fim, dando o melhor de si por uma causa em que acreditava. Contudo, não viu compensada esta sua luta.

Restam-nos quatro anos de gestão, que se espera mais organizada, tendo por base o exercício da coerência, do respeito e da tolerância. Mais importante do que os confrontos políticos, tantas vezes inócuos (e do tempo dos dinossauros), é esta terra que me viu nascer, porque “aqui, onde meu pai repousa, em dez palmos de terra também quero descansar!” *

Que possamos, sobretudo, continuar a viver, a trabalhar, a escrever e a falar livremente, sem que isso traga de volta os tais velhos fantasmas de má memória. Quero acreditar que sim.

*Manuel Justino Ferreira, poeta montemorense e humanista



João Luís Nabo, in "O Montemorense, Outubro 2017

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