domingo, 16 de julho de 2017

A arte de bem descascar uma batata


Seis meses quase passaram desde o primeiro dia deste ano, fértil em tantas coisas e, a ver bem, em coisa nenhuma em especial. Não vou fazer o balancete deste período (para isso, há jornalistas credenciados), até porque seria logo alvo de propostas de alteração ou até de uma ou outra blasfémica ofensa por parte de um ou outro leitor menos bem disposto por causa deste calor que nos invade a paz de espírito. Por isso, esqueçamos o que passou e brindemos ao que há-de vir, às promessas eleitorais, às pinturas de muros e paredes, aos arranjos nas ruas e nos largos, às fotos da Oposição, muitas fotos da Oposição, com jogos do antes e do depois, e à vontade, muita vontade, por parte de toda a gente (acho eu) de tornar este Monte ainda Maior. Mas, para isso, é preciso arte, jeito e vontade genuína de ensinar e aprender com todos os envolvidos no processo. Cativar o eleitorado não é fácil e, como dizia alguém muito sábio, mais vale cair em graça do que ser-se engraçado. E, sobretudo, não ter medo de manifestar a sua opinião, ainda que, por tal, se torne alvo de epítetos que nada têm a ver com a essência daquilo que opina.

É por isso que a arte de bem descascar uma batata não é para todos. Retirar o invólucro a um tubérculo arredondado nas formas e liso na textura é fácil e todos o podem experienciar. Agora, retirar a casca a uma batata torta, sinuosa, produto de alguns espasmos da natureza, não se torna fácil, principalmente quando o cozinheiro só aprendeu, por diversas vias, e por deformação ideológica, a descascar batatas só de um determinado lote ou a utilizar, apenas e só, um determinado tipo de faca. É por isso que, quando alguém decide descascar aquela batata que ninguém ousara descascar antes, acaba por ficar sujeito a apreciações que, no mínimo, reflectem tanto a importância da sua ousadia como a incapacidade de discussão de temas difíceis e fracturantes por parte dos que vivem ainda a admirar ídolos de pés de barro.
Se o concelho merece a atenção de todos os que se envolvem político-partidariamente na luta legítima e genuína pelo poder, há que ouvir atentamente os que, não tendo qualquer filiação partidária, pretendem apresentar ideias, soluções, apontar caminhos para que todos, mesmo os que não aprenderam ainda a descascar a tal batata tão cheia de polémicas calosidades, mostrem, sem demagogia nem ligações a ideias feitas, a sua verdadeira paixão por Montemor. A sua paixão por todos nós.

João Luís Nabo

In O Montemorense, Julho de 2017



1 comentário:

vovó disse...



na mosca!! :)
beijinhos, com saudades...

Distraídos crónicos...

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