quarta-feira, 15 de março de 2017

Ai, Março, Março!




          O mês de Março é, aparentemente, um mês morto. É assim uma espécie de “toma lá calma e não te enerves, que isto há-de passar”, um mês de fazer favor que nos deixa mergulhados numa espera e num ansiar por outros dias com mais luz. Março, outrora dedicado ao deus romano da guerra e da agricultura, é hoje apenas o terceiro mês deste calendário que nos obriga a um intervalo entre a noite e o dia, entre a sombra e a luz, que nos arrasta nestas horas que não são invernosas nem primaveris, num limbo demasiado longo onde as almas aguardam, nem sempre serenamente, a libertação.
Essa virá com os dias que se avizinham, uns de Paixão e Morte, outros de Ressurreição e Esperança, outros sem coisa nenhuma que se pareça, mas, ainda assim, cumpridores do calendário dos homens e da natureza. Poupa-se luz, poupa-se gás, poupa-se a alma e o pensamento e os psiquiatras ficam mais libertos para irem à pesca. É por isso que gosto muito mais do que vem depois.


João Luís Nabo
In "O Montemorense", Março, 2017

3 comentários:

maria de jesus caracol disse...

Desculpa!O mês de março é importantíssimo! É o mês em que eu nasci. E sem mim o mundo não era a mesma coisa. Beijinhos

Cloreto de Sódio disse...

Há exxcepções, claro! Tens razão! Beijinhos!

vovó disse...



e eu que pensava que o mês de Março era bonito, porque se começavam a avistar, para nossa paz de espírito, as primeiras folhas a aparecerem nas árvores, as primeiras flores a colorirem os canteiros... eu própria, sou uma delas, nascida neste mês :) :) :) :) ...mas, pronto. tenho que concordar que é um belo texto :)
beijocassss
avómaria

Distraídos crónicos...

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