sexta-feira, 27 de maio de 2016

Casal Michelin



Se este espaço fosse uma coluna de crítica gastronómica, escreveria aqui que o bar-restaurante da sede da Associação Columbófila Montemorense abriu em Janeiro com nova gerência. Sem desprestígio para outras casas do género, que muito prezo aqui na cidade, tenho um especial prazer em utilizar esta minha coluna de liberdade para divulgar um espaço onde o atendimento é feito de forma especial e os petiscos são para comer lentamente, saboreando cada tempero, cada acepipe, cada nuance que só com vagar se pode avaliar, gozando cada bom momento que eles nos proporcionam. Entramos como clientes e saímos como amigos. Porquê? Porque o António Quitério e a Isabel Conceição não conseguem fazê-lo de outro modo. E isso augura-lhes uns bons anos de... serviço público. Se dependesse de mim, e de outros companheiros de aventuras, de palato exigente, recebiam sem hesitações, e numa cerimónia pública protocolar a ter lugar na pequena mas funcional cozinha da Isabel, a sua primeira… Estrela Michelin!

In "O Montemorense", Maio de 2016  

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Os dias do fim


Iniciámos há pouco a última etapa escolar. A menos de um mês do final do ano lectivo, tornam-se agora mais visíveis as preocupações dos alunos com o aproximar dos últimos dias. (É todos os anos assim, sem excepção.) Claro que essas preocupações são legítimas e têm razão de ser, mas a tensão e a angústia seriam menores se, muitos meses antes, o estatuto de estudante tivesse sido encarado como uma profissão mais séria e importante. Claro que não se deve confundir a árvore com a floresta e todos sabemos que há alunos (e pais) que se preocupam, desde o primeiro momento, com os resultados e com a necessária aquisição de conhecimentos para que aqueles possam ser os melhores possíveis. Outros há (e não são assim tão poucos) que começam agora a olhar para o calendário e que procuram fazer num mês o que não conseguiram em oito. Sorrio perante este exercício, quantas vezes inglório, mas que seria evitável se esse esforço tivesse sido distribuído no decorrer do ano lectivo. Contudo, por muito que os professores e os pais insistam nessa questão, muitos jovens vêem na escola apenas um pretexto para sair de casa, para passar umas horas a trocar mensagens, a jogar nos computadores da Biblioteca ou como mero centro de convívio de quem não tem mais nada para fazer. É pena. Porque Portugal vai continuar à espera da geração certa. E nós queremos que seja esta. Mas com uma atitude diferente. Antes que seja tarde.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Caravelas




(Foto: autor desconhecido)

E quando nada nem ninguém poderia prever, um breve dilúvio abateu-se sobre Montemor no dia 11 de Maio, abrindo uma ferida profunda numa das praças mais emblemáticas da cidade. O Jardim Público, elemento arquitectónico com largas décadas de existência, faz da Praça da República, juntamente com as sociedades Carlista e Pedrista, um conjunto perfeito com a arquitectura do prédio em frente, onde se situa o Café Almansor, cujos nome e história se confundem com o nome e a história do próprio largo, onde desaguam sete das ruas da nossa terra. Parte do muro do Jardim ruiu em consequência de um deslizamento de terras que forçou a antiga armação a cair para o lado da Rua de Olivença. Não houve registo de feridos, felizmente, embora um carro ali estacionado tivesse ficado danificado.
Ainda não li qualquer reacção por parte dos partidos da Oposição que, normalmente, e como é da praxe, procuram atribuir responsabilidades por este tipo de situações e que quase sempre apontam a Maioria como principal alvo das suas críticas. Desta vez, e à data deste escrito, ainda não o fizeram. Nem serei tão pouco eu a fazê-lo. Porque não sei como se pode evitar estas catástrofes e porque penso que os responsáveis autárquicos, maioria e oposição, já terão pensado em tornar efectiva uma vistoria rigorosa a todos os edifícios do centro histórico que se encontram em situação de iminente desmoronamento. A chuva, o sol, o vento e a poluição que têm vindo, ao longo de décadas, a conviver com os edifícios das décadas de 20, 30 e 40 do séc. XX, começam a fazer os seus efeitos erosivos, sobretudo em imóveis devolutos e cujos proprietários não se encontram financeiramente em condições de proceder aos necessários melhoramentos e, muito menos, a uma total reconstrução dos seus imóveis antigos.
Há vários anos que muitos montemorenses, quer verbalmente, quer por escrito nos jornais da terra, vêm a alertar para o estado de degradação de alguns dos edifícios da histórica “encosta do Castelo” e daqueles que circundam outro largo emblemático da cidade – o Largo General Humberto Delgado. Mais quatro ou cinco tempestades como a que destruiu o muro do Jardim bastarão para deitar abaixo alguns prédios do mítico largo onde se ergue o Monumento aos Combatentes da Primeira Guerra.
Se, aparentemente, houve algum desleixo com o estado do muro Jardim Público, que este acontecimento nefasto, que para nós, montemorenses, tem o valor de uma verdadeira tragédia patrimonial, sirva para alertar quem de direito, de modo a, urgentemente, evitar-se repetições. Montemor não pode ser visto como uma velha caravela, esventrada, abandonada ao sabor das intempéries, que, por falta dos contínuos e necessários cuidados de manutenção, deu à costa, mil tempestades depois, a gritar por socorro. Exigimos da autarquia uma maior vigilância e os meios necessários para prevenir estas situações que deixam na traça da cidade cicatrizes difíceis de sarar. Como? Não me compete a mim dizê-lo. E, já agora, que não apliquem as modernices habituais nas reconstruções do género. Queremos um muro exactamente igual ao que lá estava.

In "O Montemorense", Maio de 2016

Distraídos crónicos...

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