quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Pato, arroz de


E pronto. Socialistas e não socialistas, comunistas e não comunistas, bloquistas e não bloquistas (os Verdes e o moço dos Animais) ficaram a saber (mais uma santíssima vez) que o que se diz nas propagandas, perdão, nas campanhas, e nos comícios políticos nada corresponde à verdade. Portugal foi às urnas a 4 de Outubro e, depois disso, nada foi igual neste país de santos, heróis e reis, entre os quais, um que plantou o Pinhal de Leiria (que trabalheira) e outro que construiu o Convento de Mafra (ficando 3 meses de real cama depois de acarretar tanto pedregulho).   Mas não mudemos de assunto, que o caso é sério: se os americanos têm o naine-êlévan, nós temos o quatro-do-dez, que foi também a coisinha mais estranha que nos aconteceu. Passo a recordar aos meus 12 leitores: a Coligação PSD/CDS ganhou as eleições legislativas por maioria relativa, o Presidente da República empossou o pessoal de direita e, coisa dita, coisa feita, os partidos de esquerda despacharam-nos em menos de nada, “obrigando” o aflito Presidente a dar posse como Primeiro a um rapaz que tinha perdido as eleições. Ainda bem que Costa não tem tendências nazis, salazaristas ou pró-islão com bombas à cintura, senão era Primeiro à mesma e lá teria de dar-se uma limpeza assim por alto ao Forte de Peniche, à cadeia de Caxias e ainda uma enceradela aos cubículos do Tarrafal, pois era mais que certo que todos estes edifícios iriam novamente ser habitados.
Mas Costa não é nada disso. É um democrata, socialista e acho que também é laico, embora o padrinho Marocas também o tenha sido e, tal como eu, fosse à Missa de quando em vez. Bom… vamos seguir com a coisa. Costa, que também é isso tudo, terá de levar com mais um predicativo do sujeito: Costa é um brincalhão. Brincou com as incertezas dos portugueses, aproveitou-se do seu cansaço pela travessia deste enorme deserto de quatro anos de roubalheira aos seus ordenados e direitos, alertou que tudo ia ser diferente e má-na-sê-quê e eteceteraetal... E pronto: conseguiu convencer os ceguinhos dos outros partidos anti-coligação e espetou com a dita no olho da rua, com um Portas com ar de virgem ofendida e com um Passos com ar de virgem (só). Isto é, obrigou Cavaco a dizer que sim, “vais ser Primeiro-ministro”, nesta estranha democracia onde já não governa quem mais votos tem na urna, ao contrário do que aprendemos logo ali a seguir ao 25/4.

Portanto, e em suma, como diz um aluno meu (e diz muito bem) e também como refere o meu filho mais velho em relação às mais diversas situações do dia-a-dia (e refere muito bem), vem aí “outra vez arroz!” E é de pato. E os patos somos nós. “Quem mais?”, como diria George Clooney num qualquer anúncio ao arroz do referido palmípede.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Uma paixão sem sindicato



As grandes festarolas organizadas pelos sindicatos dos professores, as comemorações, os desfiles e outras coisinhas assim, já há perto de 5 anos que não contam com o meu contributo financeiro para os comes e bebes, cartazes, faixas e materiais quejandos, simplesmente porque depois de tanto inconseguimento, como diria a mui ilustre e prolixa ex-presidente da Assembleia da República, Sãozinha Esteves, era uma verdadeira burrice da minha parte entregar-lhes uma procuração a troco de um desconto no meu vencimento para me representarem mal, mal, mal, na luta pelos meus direitos.
A carreira de professor, se ainda mantém a dignidade que todos os dias lhe procuramos dar, deve esse estatuto aos próprios docentes, muitos deles prestes a entregar o cartão de sindicalizados, tal como fez este vosso amigo, com uma extremíssima vontade de os mandar cavar batatas, para ver se a economia do país melhorava.
Os sindicatos perderam a força e não conseguem alterar na lei uma única virgulazinha para que possamos ter um pouco mais de gosto pela profissão. E vamos ficando cada vez mais desgastados com o trabalho (e não estou a falar das aulas) que nos vão obrigando a fazer e com o ordenado cada vez mais emagrecido que nos obrigam a ganhar. E esse desgaste vai-se reflectindo, aos poucos, em todas as áreas e em todos os níveis de ensino.

Portanto, e em suma, devolvi o cartão de sindicalizado, expliquei porquê e comecei a perceber um bocadinho melhor as razões que levaram Margaret Thatchter a andar sempre tão desiludida, direi mesmo tristinha, com os sindicados ingleses. E a inenarrável Dama de Ferro que nunca teve cartão! (Nem Cristo teve biblioteca).

In "O Montemorense", Fevereiro de 2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Cavalas




Vou escrever estas linhazinhas com uma tristeza profunda: os portugueses continuam mansos e mais conformados do que duas cavalas em azeite, anafadinhas numa latinha de conserva, na prateleira de um supermercado qualquer. Por que utilizei esta figura de estilo chamada comparação, para dar reforço ao motivo da minha tristeza? Porque quero homenagear os meus colegas professores de Português, porque nunca ninguém dá o devido valor às cavalas e porque a fofa é capaz de devorar aqueles peixinhos gordurosos como se não houvesse amanhã.
Pronto: contentei todos.

In "O Montemorense", Fevereiro de 2016

Distraídos crónicos...

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