terça-feira, 18 de outubro de 2016

Estudantes Juniores




Os alunos não são todos iguais. Ainda que tenham a mesma idade, uma origem familiar comum ou vivam na mesma rua. Muito menos iguais são os de diferentes faixas etárias e, consequentemente, com interesses muito diversos. Por isso, um aluno com onze anos não pode ser tratado como se tivesse dezassete, nem vice-versa. Não resulta. Nem em termos académicos, nem em termos de afectividade e cumplicidade, tão necessárias em contexto de sala de aula. 
Nem sempre é fácil para um professor, mesmo com alguns anos de experiência, entender essas diferenças: ou por cansaço ou por insensibilidade ou por questões de feitio. Mas elas estão lá, de forma visível e à nossa espera todos os dias, no decorrer do ano lectivo. O entusiasmo que nos guia, bem como os objectivos essenciais da nossa prática lectiva é, quase sempre, cumprir o programa do ministério e dar as mesmas oportunidades, de forma igual e indiferenciada, a todos os alunos de uma mesma turma. Julgamos, assim, estarmos a dar visibilidade a um ensino justo e equitativo. Nada mais errado. Muito menos nos tempos que correm, com turmas onde existem alunos de diferentes raças e etnias, com origens familiares diversas e, tantas vezes, problemáticas. Para não desenvolver aqui a temática da inclusão, necessária, democrática e obrigatória para crianças com necessidades educativas especiais.

Porque todos somos diferentes e todos temos limitações da mais diferente espécie, espero que nunca ninguém, arrogando-se de pedagogo iluminado e epifânico, decida fazer-me um exame prático de futebol, de ballet ou mesmo de mandarim. Sem as devidas ajudas especializadas e personalizadas… é óbvio que vou reprovar em todas as provas e que serei considerado um aluno com sérias dificuldades de aprendizagem.


In "O Montemorense", Outubro, 2016

Distraídos crónicos...

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