domingo, 21 de junho de 2015

Não escrevo, não escreverei




Continuo e continuarei a escrever fugindo à maior ofensa dos últimos 100 anos à Língua Portuguesa, nossa Pátria e porto de abrigo. Escrever como nos obriga o tristemente célebre acordo ortográfico é escrever mau Português, é curvar a espinha aos países que nem se deram ao trabalho de promulgar essa coisa, é ficar reféns de interesses obscuros e manhosos, desrespeitando a língua e, consequentemente, quem a escreve de acordo com a correcção que ela merece. O que farão os alunos que foram apanhados a meio deste processo? Estarão todos os livros que comprei (e que escrevi) obsoletos? Mal escritos? Fossilizados? Bem como tudo o que se escreveu até agora, de forma correcta e coerente com as origens latinas e gregas do português? Então somos nós que nos temos de adaptar à grafia dos outros países de língua portuguesa, ex-colónias que já nada têm a ver connosco? São eles agora os nossos colonizadores? Era o que mais faltava!
Não. Não escrevo. Não escreverei. Fui ensinado por grandes professores a não escrever com erros ortográficos. Prendam-me, se quiserem.


In "O Montemorense", Junho de 2015

domingo, 14 de junho de 2015

Mentirosos de alto nível

           

       
       Se a escrita é uma forma de liberdade, a escrita ficcional é uma forma superior de liberdade. Escrever ficção, sejam romances, novelas ou contos, é mentir… com classe. É inventar realidades, pessoas, sentimentos e espaços, espaço interiores e exteriores, de tal forma que todos os que lêem acabam por acreditar que o imaginado é real, mais real do que a vida. É a célebre “suspension of disbelief” de Samuel Coleridge ou, de uma forma mais ou menos aproximada, “a suspensão voluntária da descrença". Isto é, recusamo-nos a não acreditar.
          São estas algumas das premissas que suportam os primeiros momentos num contexto de oficina de escrita criativa. Outras motivações que, nessas sessões, nos levam a orientar a imaginação e a técnica de jovens candidatos a escritores, é “colocá-los” no lado de dentro do texto e perceber assim, sob a perspectiva do criador, como funciona a sua “criatura”, chamemos-lhe texto, neste caso concreto, mas que poderia ser uma pintura, uma escultura, uma foto ou qualquer outra manifestação artística.
        Pois, neste final de ano lectivo, há, para além da habitual febre das notas, dos exames e das angústias inerentes e legítimas, um facto incontornável e, por isso mesmo, digno de anúncio. O Agrupamento de Escolas de Montemor-o-Novo vai publicar uma edição de contos originais, da autoria de dois alunos que já começaram a dar que falar nesta área. Joaquim Quadrado e Mateus Lopes Bregas, agora a darem os primeiros passos numa área ingrata, difícil e demasiado banalizada, merecem o meu público agradecimento pelo esforço (isso da inspiração é um mito absurdo), pela paciência, pelo talento e pela capacidade manifestada em mentir tanto em tão pouco tempo.

Continuamos a espalhar mentiras logo em Setembro? Cá por mim…


                 In "O Montemorense", Junho 2015

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Araújo, João Araújo


Fala-se muito de José Sócrates mas não se dá importância a um dos advogados de defesa que tem dado a cara pelo acusado e que tem dado também mostras de uma enorme falta de ética e correcção, tanto em relação ao seu constituinte como perante os jornalistas que procuram relatar as ocorrências sempre que tais se justifiquem. João Araújo tem mostrado um profundo desprezo pelos profissionais da comunicação com respostas e remoques que ficam a dever muitíssimo à civilidade, à cortesia e ao respeito. Para não falar nas suas reacções às decisões do juiz e do procurador que, certas ou erradas, mereciam referências sem o show-off a que Araújo já nos habituou. Se Sócrates (quer seja ou não culpado das acusações) tem sido um mau exemplo para o país, a sua defesa, com ou sem razão, não o tem sido menos. Se eu fosse um advogado acabadinho de sair do exame da Ordem, iria apagar da memória o que aquele sénior nos tem ensinado nos tempos mais recentes.

In "O Montemorense", Junho, 2015

Distraídos crónicos...

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