terça-feira, 26 de maio de 2015

Final de etapa



As aventuras de final de ano lectivo repetem-se com a rapaziada a cumprir o calendário dos testes derradeiros, trabalhos, pesquisas e apresentações. E é igual também o grau de preocupação dos pais e encarregados de educação que querem legitimamente que os seus filhos passem de ano, progridam no conhecimento e, consequentemente, se preparem para o novo ano que vem já ali. Mas nem sempre as coisas são assim. Se há alunos que se dedicam ao trabalho com empenho e algum sacrifício, muitos, direi mesmo a maioria, usam da cultura residual que vão acumulando ao longo do tempo e fazem-na render o melhor possível, bastando para isso a sua assiduidade e a atenção nas aulas.

Num terceiro grupo, há os alunos que não querem mesmo passar de ano nem se preocupam em aumentar os seus conhecimentos, práticos e teóricos, recusando até a aprendizagem seja do que for. Não entendo por que motivo a lei continua a obrigar estes alunos a esta violência diária que acaba por não ser nem compensadora nem motivadora para os restantes agentes de ensino. Há leis que deviam mudar. Ou então que se mudem as vontades e que esses alunos aproveitem ao máximo as oportunidades que lhes são dadas. Um dia poderá ser tarde.


In "O Montemorense" , 20 de Maio de 2015

Foto: Henrique Gabriel de Carvalho

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Peregrinos


Continuo a admirar profundamente a força que, todos os anos por esta altura, move os peregrinos em direcção ao Santuário de Fátima. Não sei se a fé, se a caridade, se a expiação dos seus pecados, se o cumprimento de promessas sagradas e impossíveis de desfazer. Seja o que for, sentimo-nos, decerto, um pouco como eles, não em direcção a Fátima, mas em direcção ao ponto último da nossa passagem por aqui. E um dia, depois desta viagem, mais longa para uns, mais curta para outros, mas quase sempre acidentada, chegamos finalmente ao nosso destino. Quando isso acontecer, que tenhamos deixado todas as contas pagas e os nossos filhos e netos encaminhados. E que os peregrinos de Fátima tenham o devido reconhecimento das mais altas esferas da hierarquia da Igreja: de Deus e dos Seus Auxiliares mais próximos.  

In "O Montemorense", 20 de Maio de 2015

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Pedro e António






Pedro e António. Personagens históricas? Ainda não. Muito tempo há-de passar até que a História se debruce de forma objectiva sobre eles e faça uma releitura dos seus actos e das suas omissões. Se Pedro e António afirmam categórica e indesmentivelmente que sabem governar Portugal, sabemos que isso não passa de uma cantiga já com barbas, que todos os políticos mais ambiciosos cantam até lhes doer a voz. Não sei se Pedro foi um governante exemplar. Sei aquilo que vejo e ouço, aquilo que não vejo e não ouço. Com a política de aumento de impostos e a diminuição de rendimentos para o Estado tapar os roubos que os de colarinho branco fizeram, parte da população do nosso país entrou no limiar da pobreza. E veio tudo em catarata: o encerramento de fábricas e restaurantes, a falência do pequeno comércio, o desemprego, a emigração de mentes e braços de qualidade mas desprezados.
A Ditadura do outro António era visível e impressionante. A de hoje remete-nos para um silêncio envergonhado porque só quem tem dinheiro pode ser livre de falar. Por isso, não sei se Pedro, se António, se outro qualquer tem capacidade, talento e generosidade para nos devolver a confiança perdida, para nos mostrar que Portugal ainda é possível, tanto para nós como para os nossos filhos e netos a quem deixámos, involuntariamente, uma herança armadilhada, um abismo que os vai começar a sugar logo que decidam “fazer pela vida”.
O erro que se vai repetir em breve é o mesmo de sempre: é o de permitir esta eterna alternância, entre o laranja e o rosa (com uns laivos de azul), este agora-tu-agora-eu-depois-tu-depois-eu que tem, comprovadamente, levado os portugueses a uma existência pouco digna.


In "O Montemorense", 20 de Maio, 2015


Distraídos crónicos...

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