domingo, 25 de maio de 2014

Saltos no escuro



       Vamos em breve iniciar as avaliações dos nossos alunos. Todas elas importantes, são sobretudo as dos alunos em anos terminais as que mais nos preocupam. Os alunos que se vão lançar, quer no mundo do trabalho, quer nas universidades na nação, estes para conquistarem um canudo e tentar também seguir em frente com a vida, o que não vai ser fácil para uma grande parte deles. Sair de Montemor, alugar um quarto, pagar propinas, livros, fotocópias, passes sociais, alimentação, luz, gás, água vão transformar por completo a vida dos pais, (e, muitas vezes, as dos avós) obrigando a um recalcular de toda uma dinâmica e de uma política económica e familiar que, há meia-dúzia de anos, não era, de forma alguma, impeditiva para um jovem avançar no seu futuro. 
Há agora grandes, enormes impedimentos. Agora há um Governo que impede que milhares de jovens encontrem emprego no final da escolaridade obrigatória. Agora há um Governo que impede que muitos continuem os seus estudos e não tenham outra alternativa senão emigrar. Continuo sem saber por que continua a haver esta política, visivelmente propositada, de empobrecimento cultural. 
“Então não vês que é muito mais fácil manipular, conduzir e convencer um povo ignorante e culturalmente censurado?” A minha fofa hoje está imparável e eu vou acabar já com a escrita antes que ela me envergonhe mais.

In "O Montemorense" de 20 de Maio de 2014

quinta-feira, 22 de maio de 2014

MorBase - para memória presente


Finalmente, Montemor tem garantido o registo do seu património material e imaterial numa base de dados disponível online que tem o nome de MorBase. O projecto, apoiado pela Câmara Municipal, foi lançado recentemente e é da autoria dos arqueólogos montemorenses, “donos” da Cromeleque, Lda., Carlos Carpetudo e Sira Camacho, bem como de uma equipa de gente igualmente competente que, de forma inovadora, ofereceram, e vão continuar a oferecer, um produto de qualidade onde Montemor, os montemorenses e o resto do mundo poderão ficar a saber com que linhas se cose a nossa identidade.   Curiosamente, apenas vi lá, no Arquivo Municipal, os representantes da Câmara e da Megajunta do Bispo, Vila e Silveiras. Não me apercebi de mais ninguém. “Então não vês que não é tempo de eleições autárquicas...?”, esclareceu-me a fofa, sempre atenta e sem papas na língua. 

In "O Montemorense" de 20 de Maio de 2014

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Os anjos de Etelvina


 
 
          Os Anjos não têm asas é o primeiro livro publicado de Etelvina Santos, montemorense dos sete costados e que me cativou com o seu texto pouco depois de ter sido escrito. É o resultado de uma experiência forte, inesquecível, e que ela decidiu partilhar, primeiro com a família, depois com os amigos e, finalmente, com um grupo mais alargado. Poderia escrever mil coisas sobre o que a Vina viveu, sobre como eu vivi o texto que ela escreveu, mas vou limitar-me a reproduzir a sinopse que a autora me convidou a escrever para a contracapa desta memorável crónica de viagens. Antes, agradeço publicamente à Vina pela partilha, pelo convite que me fez para apresentar a sua obra de estreia, e pela confiança:

          “Há viagens que não se descrevem. Que fazem parte do canto mais escondido do nosso ser. São património do indizível, tal não é a mistura de sentimentos que borbulham no espírito de quem as faz.

          A protagonista desta aventura, sem saber onde localizar a sua fé, pôs-se a caminho, como se diz por aqui. E, com as palavras escritas por ela, caminhámos nós, com coragem, em espanto, em dor, em desalento, mas também em harmonia com a natureza, com os seus tempos e os seus silêncios. E a viagem torna-se, inevitavelmente, espelho da própria vida, com dias de sucesso e outros de verdadeiro desânimo. Os motivos, esses são menos importantes do que os factos em si.

          Há viagens que não se descrevem. Muito menos as que se fazem pelos nossos próprios pés. Porque só quem viaja assim chega ao fundo do seu ser, ao âmago do seu existir, medindo a fé que os move, a coragem e o êxtase em que se transforma uma peregrinação a Santiago de Compostela.

          E pelos Caminhos de Santiago tudo é possível, sobretudo, o Amor. Mas os encontros, tantas vezes misteriosos, podem transformar-se, pelas razões que a vida não explica, em desencontros, definitivos ou temporários. É esse também o mistério de uma grande parte desta narrativa. E há o chegar, o vencer e o voltar a casa (porque se volta sempre a casa) renascida.”

 

Distraídos crónicos...

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