quarta-feira, 23 de abril de 2014

Por Abril



Abril é, tradicionalmente, desde há 40 anos, o mês da Liberdade, dos Cravos Vermelhos e do Grito que se fez ouvir nas ruas de Lisboa, por um país livre, justo e sem opressão. Lembro-me, na altura com treze anos, dos tanques que, no dia 25, vindos de Estremoz, desciam a nossa avenida, carregados de soldados e de anseios, em direcção a Lisboa, para auxiliarem Salgueiro Maia. Lembro-me de se ensaiar, nesse dia, o primeiro dia da Liberdade, feriado para todos os alunos, que receberam ordens dos professores para regressarem a casa. Como éramos ingénuos…

Abril é este ano mais um mês de comemoração. E devia sê-lo em consciência. Devia ser muito mais do que um dia de discursos, cada vez mais bolorentos, das Maiorias e das Oposições, meros conjuntos de interesseiros e incapacitados para merecerem o nosso respeito e confiança. Não devia ser um dia. Devia ser o Dia. O Dia do tal Grito, novamente a precisar de ser solto, e que, nos últimos anos, se acumulou na garganta dos portugueses, cada vez mais sufocados, envoltos numa tristeza sem esperança, sem trabalho e sem comida para os filhos.

Somos todos, quase, quase todos, portugueses desprezados pelos políticos que nos governam, postos de parte pelo país onde trabalhamos e onde ajudámos, cada um à sua maneira, a fazer crescer a democracia. Humilhados por um sistema de justiça que prende um padeiro por este ter, alegadamente, furtado 70 cêntimos e que deixa à solta perigosos meliantes que se abotoaram durante anos com o suor do trabalho dos outros. Estes sim, criminosos que continuam a safar-se graças a leis feitas a seu favor e contra, sempre contra, quem ganha o seu dinheiro honestamente.

Mesmo assim, apesar de continuamente desrespeitados na sua essência, como cidadãos e seres humanos, muitos de nós recusam-se a ir às urnas em dias de eleições, ora porque é Verão, ora porque é Inverno, esquecendo todos aqueles que, um dia, foram torturados, chegando a dar a vida para que hoje pudéssemos votar em liberdade. Não teremos os governantes que merecemos?

Como estou a passar o limite da indignação, vou terminar. Por isso, depois disto tudo, sabem o que lhes digo, caros leitores… sabem? Como diria o meu velho e saudoso Pai: “Pois, olhem! Não lhes digo nada!”


domingo, 13 de abril de 2014

Em Abril



Abril é, tradicionalmente, o mês da Páscoa, o tempo de renovação da Natureza (se os ciclos se mantivessem como antigamente), o momento certo para recordar com mais intensidade um homem que continua a ser um exemplo para os homens de todos os tempos, de todas as ideologias políticas e religiosas. Ser consensual a este ponto não é fácil nos tempos que correm nem o foi no seu próprio tempo. É preciso ser bom. É preciso talento. Pois ele é das figuras históricas e religiosas mais analisadas, mais estudadas e que, no entanto, nos deixa sempre margem para o mistério, nos permite um espaço, maior ou menor, de incompletabilidade. 
Depois de mil leituras sobre esta figura fascinante que me acompanha desde a mais tenra idade, continuo maravilhado com as questões que, tantos anos depois, ainda se me colocam, sem por isso diminuir essa admiração e a vontade de ter sido seu amigo. Quem foi, afinal? Como conseguiu com o seu exemplo e com a sua palavra pôr em risco um império? Que carisma é preciso possuir para, como ele, ter arrastado, e arrastar ainda, multidões? Realizou milagres? Não sei, nem acho isso importante. Amou uma mulher? Se proclamava o amor, seria justo e lógico dar o exemplo. Queria nivelar a sociedade em termos de riqueza e de oportunidades? Estava, decerto, muito à frente do seu tempo. Mexeu nos ninhos de cobras dos ricos e poderosos? Mexeu… e de que maneira.
O mais irónico é que, se tivesse nascido há 33 anos, ali, num estábulo perto da nossa cidade, muito provavelmente estaria igualmente prestes a ser crucificado no monte mais alto aqui da região. Talvez no Castelo ou ao lado da Ermida da Senhora da Visitação, sua Mãe. Entre ladrões e malfeitores. Entre drogados e prostitutas. Entre os que ele mais amou e defendeu. E, mais uma vez, não recusaria a morte. Porque sabia que o seu nome iria continuar acima de todos os nomes, porque defendera os fracos, os oprimidos, os humildes, os doentes, os abandonados, os injustiçados, as vítimas de toda e qualquer intolerância.
Porque iria ser o consolo de quem n’Ele acredita. Porque Ele sabia que iria ser o Irmão mais velho que todos gostaríamos de ter.


Distraídos crónicos...

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