terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Um país de amnésicos

                                             



Depois de uns dias de confusão, de informação e de contra-informação já não se fala muito dos quadros do pintor surrealista catalão Juan Miró. Calou-se a leiloeira Christie’s, calou-se o Governo Português e pronto, o povo aceita que está tudo bem. Vício que nos vêm do tempo da ditadura, quando os portugueses eram obrigados a aceitar a coisa ou, então… iam fazer uma visita, por vezes que durava anos, a Caxias ou a Peniche.
Já quase se esqueceu o grave alegado acidente na Praia do Meco que ceifou a vida a seis jovens universitários. Mas já era de esperar. Tal como foram relegados para o total esquecimento as pressões ao Tribunal Constitucional, bem como todos os roubos, as falcatruas, os amiguismos e outros ismos a que tivemos acesso nos últimos três anos. Freeport… por onde andas? Caso BPN… qual é o ponto da situação? Caso(s) Duarte Lima… como é que é? E quem matou Francisco Sá Carneiro e seus acompanhantes, na tenebrosa noite de 4 de Dezembro de 1980? E quem foi responsabilizado pela morte de António Casquinha e José Caravela, aqui bem perto, na Herdade de Vale de Nobre, no longínquo ano de 1979?
Ninguém.
Portugal tornou-se no paraíso onde os criminosos saem impunes. Onde se pode, em nome da lei e do elevado interesse nacional, destruir famílias, matar idosos, escavacar um país a precisar de outros planos que não estes que o têm afundado. E se alguns vão dentro é por um grande, enorme azar, ou porque os respectivos advogados de defesa não conseguiram esmiuçar a lei de forma a torná-la favorável para os seus clientes.

Quando era mais novo, jamais me passou pela ideia de, um dia, sentir vergonha dos governantes do meu país e de começar a acreditar, qual Fernando Pessoa, num Quinto Império que, no plano do sonho e do impossível, governado por um Encoberto ansiado, seja sinónimo de esperança e de resgate definitivo. Que a manhã de nevoeiro surja em breve… porque ainda “falta cumprir Portugal.”


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Praxes, para que servem?



Não queria voltar tocar neste tema. Mas continua na ordem do dia. Por muito que muitos não queiram. Tornou-se um tema mais sensível do que era hábito e quem se manifesta contra as praxes apercebe-se logo das reacções, muitas vezes exageradas, dos seus defensores. O meu amor pelas praxes é muito relativo. Se há cerimónias e actividades que concorrem para uma verdadeira integração dos novos alunos, não posso concorda com a estupidez que me é dada a assistir anualmente, com a malta nova a ser “integrada” através de sessões de verdadeira violência e humilhação, onde a prepotência, o absurdo e a falta da educação mais básica se sucedem sem que haja rigorosamente nada de positivo nessas “actividades de recepção ao caloiro”.

A minha filha Joana foi caloira recentemente. Viveu mais de um mês de cerimoniais que, na minha opinião, não serviram rigorosamente para nada, a não ser para provocar um profundo cansaço e uma enorme ansiedade de que tudo terminasse rapidamente para que pudesse começar a fazer aquilo que a levou à universidade: estudar. Mas nunca se queixou. Aguentou estoicamente (e voluntariamente, é bom que se diga) tudo o que os senhores estudantes a levaram a fazer. Mas, na minha opinião, não era necessária tanta parvoíce.

Também fui universitário. Há muito anos. No meu tempo, o alívio mais ansiado que poderíamos vivenciar seria descobrir que o professor da cadeira de Cultura Inglesa, que nos entregou uma lista de 150 livros para lermos até à semana seguinte, não era mais do que um aluno de 4.º ano que, com a conivência do professor da cadeira, veio assustar, de facto, uma turma de caloiros, muitos deles acabados de chegar da província. Se a tragédia do Meco foi resultado de uma praxe? Não me parece. Julgo que tudo não passou de uma infeliz conjugação de factores que resultaram num estúpido acidente. No entanto, continuo a estranhar que a investigação tenha começado apenas um mês depois.

Distraídos crónicos...

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