terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Ainda o Eusébio





Falar deste jogador recém-desaparecido é falar de alguém que merece todo o nosso respeito e admiração. É já um símbolo do país a juntar a tantos outros, das mais diversas áreas, que se distinguiram dos demais. Assisti com respeito, e alguma emoção, às manifestações dos adeptos. Mas também assisti, contrariado, à dor da mulher e da família que não foi respeitada nem pelos adeptos, nem pela comunicação social. É graças sobretudo às televisões que temos que a memória que me fica de todos esses rituais de despedida não é a volta do herói morto ao Estádio da Luz. É a cova fria, aberta, rodeada de gente que perdeu um ídolo mas que não soube manter a distância necessária para garantir o respeito pela dor e o sofrimento de uma família que perdera um marido e um pai.
Já que falei em heróis… Amália e Eusébio são duas imagens que se confundem com a bandeira da nação e que levaram o nome de Portugal até muito longe. Então e os outros? Julgo que, por este caminho, vão ter de abrir-se mais vagas no Panteão Nacional.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

António




Chegou um novo ano. Desejar um bom 2014 a todos é o mesmo que desejar um bom dia em manhã de tormenta. Será apenas mais um ano como os anteriores, que nos vai obrigar a puxar pela imaginação para irmos resolvendo as questões que se vão levantado dia após dia.
Lembro-me de o meu Pai me dizer, com frequência, que a vida sem problemas não teria graça nenhuma. E ele foi prova do que dizia. Todos os dias tinha desassossegos e desafios na sua profissão. E não foi por isso que eu o vi mais desanimado, revoltado com a vida ou zangado consigo próprio. Respondia-lhe muitas vezes, durante estas conversas, que uma vida sem problemas seria a vida ideal, porque assim teríamos tempo para nos dedicarmos apenas ao que gostaríamos, sem perder tempo a inventar soluções, quase sempre diárias, para atirar para o lado as pedras que se iam levantando no nosso caminho. “As pedras desviam-se para o lado, aos poucos, conforme a força que vamos tendo”, respondia-me.
Hoje, mais velho, a viver num país em crise, e a viver os meus dias de crise também, porque ninguém escapa às consequências destas políticas desastrosas de quem pensa que sabe o que anda a fazer, acredito todos os dias que o meu Pai tinha razão. De facto, quando há um dia sem problemas para resolver, até parece que a vida perde sabor e que não merece a nossa existência.
Por isso, e apesar de tudo, um Bom Ano Novo para os meus 10 leitores.

domingo, 12 de janeiro de 2014

Francisco



Ainda que demorem a concretizar algumas das actualizações a que a Igreja Católica se deveria submeter para, na minha opinião, se situar ainda mais perto dos seus fiéis, em particular, e dos cristãos de uma forma geral, só o comportamento do novo Papa é, por si só, revelador de que algo diferente começou a surgir no horizonte. Depois da última anunciação “Habemus Papam”, todos, católicos e não católicos, estavam à espera que o novo hóspede do Vaticano viesse dar continuidade ao ar formal de Ratzinger e a tudo o que este Papa simbolizava. Mas não. Assistimos à ascensão de um líder espiritual e político mas que não se esquece que é um homem que, tal como os outros homens, está neste mundo com uma missão. A sua já se tornou visível. Se João Paulo II foi o Papa Peregrino (e o que, até então, mais seguidores tinha), Francisco será, para mim, o Papa Sem Medo, o Papa Social, o Papa Descontraído, protector dos mais pobres, dos mais tristes, dos mais abandonados pelos seus próprios semelhantes. A sua figura, o seu sorriso, as suas constantes fugas ao rígido protocolo, as suas intervenções, quase à revelia do exigido, são factores que têm conquistado a simpatia e a admiração de crentes, agnósticos e ateus e que, tenho a certeza, aos poucos, vão impondo algumas novas regras, desconcertantes é certo, nos até agora frios corredores do Vaticano.

Creio que podemos começar a afirmar, sem receio de errar, que no Vaticano a tradição já não é o que era. E essa mudança tem um rosto e um nome: Jorge Mario Bergolio. Francisco para os amigos.

Distraídos crónicos...

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