segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Ano Novo do Medo



 
Este ano vamos todos comer as 12 passas sem fazer qualquer desejo. Não valerá a pena tragá-las, porque a nossa vida já está programada pelos governantes, condicionada pelas medidas que aí vêm, estragada pelo aperto ainda maior a que vamos ser submetidos. Depois das tonturas que assolaram os nossos dias no ano 2012, que cabeça e vontade temos nós para formular desejos optimistas e esperançosos?

Há uns anos, vi um filme que me impressionou: a história de um homem que era colocado numa floresta, onde um grupo de ricalhaços, a troco de uma elevada soma de dinheiro, o perseguia com caçadeiras, numa literal caça ao homem até à sua extinção cruel e fatal. Era a história da luta de um homem pela sobrevivência até este soçobrar de forma pouco digna e, muito menos, heróica. Como português sinto-me esse tipo, constantemente perseguido, ameaçado e com a sua existência em constante perigo, não sabendo nunca o que vai acontecer no dia seguinte. E, como eu, milhões.

Há uma coisa de que não duvido: o ano 2013 vai ser um ano de terror para a grande maioria dos portugueses, sobretudo para os que estão sem emprego e para os milhares que vão ser despedidos em breve. Os filhos, os sobrinhos, os primos e os alunos com quem trabalho diariamente atravessam-me constantemente o pensamento porque sei, sabemos (e o Governo sabe) que eles serão, por arrastamento, igualmente vítimas desta embrulhada em que nos meteram.

Nestes devaneios pessimistas vale-me a fofa que já ralhou comigo e me disse, de dedinho indicador esticado: “Deixa-te dessas cenas a atirar para a novela mexicana. Vamos comer as passas, subir para cima de uma cadeira e bater tachos e panelas na rua para espantar os maus espíritos. Há que ter esperança na energia que nos move todos os dias. Não podemos fraquejar, porque os nossos pais precisam de nós, os nossos filhos ainda estão à nossa responsabilidade e se houve uma maioria de cidadãos que lá pôs este e outros Governos, então é preciso sermos igualmente muitos para o tirar de lá. Porque é um Governo que trouxe a fome e a miséria a crianças e velhos, atirou milhares de trabalhadores para o desemprego, matou velhos que deixaram de ter dinheiro para ir ao médico, humilhou todos os portugueses de forma indigna e insultuosa.” Parou um nadinha para recuperar o fôlego. (Mas continuou de dedinho esticado).

E concluiu: “Se nós não confiarmos nas nossas capacidades, quem confiará? Baixar os braços é o último gesto que pretendo fazer. Estás comigo?”

Não lhe respondi logo. Virei-lhe as costas, dirigi-me para a porta e disse-lhe: “Não me demoro. Vou só à loja comprar um saco de passas. Queres de uva preta ou de uva branca?”

 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Vocalidades 2012 - Concerto de Encerramento



Coral de São Domingos e Banda de Lavre encerraram o ciclo de concertos comemorativos do 25.º aniversário do Coral de São Domingos (Foto M. Roque)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Feliz Natal!


 
           Feliz Natal para si, caro leitor. Mesmo que o seu ordenado tenha sido cortado por mor das medidas que dizem ser de austeridade mas que são para pagar os rombos que alguns nababos fizeram a esta Nação, agora mortal e muito pouco heróica. Apesar de o IMI ter aumentado. Ainda que a renda da casa possa ter subido para 10 vezes mais. Embora não tenha dinheiro para mandar arranjar o forno do fogão, para pagar a luz ou as propinas dos filhos. Sorria porque é Natal!
Feliz Natal, caro Primeiro-ministro. Apesar de continuar a dar cobertura aos que roubaram o Estado, o País e os seus concidadãos. Ainda que o senhor continue friamente a aprovar as medidas do seu ministro Gaspar, que conseguiu descaradamente roubar pensionistas e idosos que trabalharam toda uma vida sem descanso. Embora continue cego e surdo aos apelos dos portugueses que estão cada vez mais desesperados e sem saída. Sorria porque é Natal!
Feliz Natal, senhor Presidente da República. Apesar de estar teimosamente calado, com medo sabe-se lá do quê, quando deveria falar e dizer o que realmente pensa sobre o saque que os ladrões de colarinho branco fizeram aos cofres do Estado. Ainda que não queira assumir que o actual Governo não está a servir o povo que o elegeu. Embora prefira fazer humor com os seus silêncios, comer bolo branco e passear-se por um Portugal deprimente e depressivo, fingindo que vive no paraíso. Sorria porque é Natal!
 

Distraídos crónicos...

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