segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

O Ano Novo do Medo



 
Este ano vamos todos comer as 12 passas sem fazer qualquer desejo. Não valerá a pena tragá-las, porque a nossa vida já está programada pelos governantes, condicionada pelas medidas que aí vêm, estragada pelo aperto ainda maior a que vamos ser submetidos. Depois das tonturas que assolaram os nossos dias no ano 2012, que cabeça e vontade temos nós para formular desejos optimistas e esperançosos?

Há uns anos, vi um filme que me impressionou: a história de um homem que era colocado numa floresta, onde um grupo de ricalhaços, a troco de uma elevada soma de dinheiro, o perseguia com caçadeiras, numa literal caça ao homem até à sua extinção cruel e fatal. Era a história da luta de um homem pela sobrevivência até este soçobrar de forma pouco digna e, muito menos, heróica. Como português sinto-me esse tipo, constantemente perseguido, ameaçado e com a sua existência em constante perigo, não sabendo nunca o que vai acontecer no dia seguinte. E, como eu, milhões.

Há uma coisa de que não duvido: o ano 2013 vai ser um ano de terror para a grande maioria dos portugueses, sobretudo para os que estão sem emprego e para os milhares que vão ser despedidos em breve. Os filhos, os sobrinhos, os primos e os alunos com quem trabalho diariamente atravessam-me constantemente o pensamento porque sei, sabemos (e o Governo sabe) que eles serão, por arrastamento, igualmente vítimas desta embrulhada em que nos meteram.

Nestes devaneios pessimistas vale-me a fofa que já ralhou comigo e me disse, de dedinho indicador esticado: “Deixa-te dessas cenas a atirar para a novela mexicana. Vamos comer as passas, subir para cima de uma cadeira e bater tachos e panelas na rua para espantar os maus espíritos. Há que ter esperança na energia que nos move todos os dias. Não podemos fraquejar, porque os nossos pais precisam de nós, os nossos filhos ainda estão à nossa responsabilidade e se houve uma maioria de cidadãos que lá pôs este e outros Governos, então é preciso sermos igualmente muitos para o tirar de lá. Porque é um Governo que trouxe a fome e a miséria a crianças e velhos, atirou milhares de trabalhadores para o desemprego, matou velhos que deixaram de ter dinheiro para ir ao médico, humilhou todos os portugueses de forma indigna e insultuosa.” Parou um nadinha para recuperar o fôlego. (Mas continuou de dedinho esticado).

E concluiu: “Se nós não confiarmos nas nossas capacidades, quem confiará? Baixar os braços é o último gesto que pretendo fazer. Estás comigo?”

Não lhe respondi logo. Virei-lhe as costas, dirigi-me para a porta e disse-lhe: “Não me demoro. Vou só à loja comprar um saco de passas. Queres de uva preta ou de uva branca?”

 

domingo, 16 de dezembro de 2012

Vocalidades 2012 - Concerto de Encerramento



Coral de São Domingos e Banda de Lavre encerraram o ciclo de concertos comemorativos do 25.º aniversário do Coral de São Domingos (Foto M. Roque)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Feliz Natal!


 
           Feliz Natal para si, caro leitor. Mesmo que o seu ordenado tenha sido cortado por mor das medidas que dizem ser de austeridade mas que são para pagar os rombos que alguns nababos fizeram a esta Nação, agora mortal e muito pouco heróica. Apesar de o IMI ter aumentado. Ainda que a renda da casa possa ter subido para 10 vezes mais. Embora não tenha dinheiro para mandar arranjar o forno do fogão, para pagar a luz ou as propinas dos filhos. Sorria porque é Natal!
Feliz Natal, caro Primeiro-ministro. Apesar de continuar a dar cobertura aos que roubaram o Estado, o País e os seus concidadãos. Ainda que o senhor continue friamente a aprovar as medidas do seu ministro Gaspar, que conseguiu descaradamente roubar pensionistas e idosos que trabalharam toda uma vida sem descanso. Embora continue cego e surdo aos apelos dos portugueses que estão cada vez mais desesperados e sem saída. Sorria porque é Natal!
Feliz Natal, senhor Presidente da República. Apesar de estar teimosamente calado, com medo sabe-se lá do quê, quando deveria falar e dizer o que realmente pensa sobre o saque que os ladrões de colarinho branco fizeram aos cofres do Estado. Ainda que não queira assumir que o actual Governo não está a servir o povo que o elegeu. Embora prefira fazer humor com os seus silêncios, comer bolo branco e passear-se por um Portugal deprimente e depressivo, fingindo que vive no paraíso. Sorria porque é Natal!
 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

E agora, Carlos?



O Presidente da Câmara de Montemor apresentou o seu pedido de suspensão de mandato, a entrar em vigor a partir de 1 de Dezembro, quando falta praticamente um ano para terminar a “legislatura local”. Levantaram-se vozes de protesto, sobretudo por parte dos que o elegeram, alegando a obrigatoriedade moral de não defraudar o eleitorado, devendo por isso ocupar as suas funções até ao mês de Outubro de 2013. Outros manifestaram-se favoráveis à sua saída antecipada, exprimindo o seu apoio e tentando imaginar o fardo que é conduzir um município durante tantos anos, o que justificaria esta sua decisão.

Na minha análise, que muitos leitores partilham, e que vale o que vale, a CDU continua a manter o vigor, a perspicácia e a visão de sempre. Hortênsia Menino, vice-presidente da autarquia, e igualmente mulher de confiança do partido, assume desde logo o cargo deixado vago por Pinto de Sá, iniciando assim um “estágio” de 11 meses que a deixará mais preparada para, com segurança, ser cabeça de lista pela CDU no próximo mês de Outubro de 2013.

Se os eleitores, desiludidos com o partido e/ou com Pinto de Sá, devido à sua saída antes do previsto, decidirem não apostar na possível candidata, poderá haver algumas dúvidas em relação à eleição de Hortênsia Menino para presidente. Esta questão pode vir a ser aprofundada se os partidos da Oposição quiserem tirar proveito desta situação, apresentando candidatos cujas características convençam o eleitorado de vez (o que até agora ainda não aconteceu) ainda que tenham consciência das vantagens da eventual candidata CDU, o que deve funcionar como um incentivo à criatividade e não como um motivo de falta de coragem política.

Por isso, ainda é cedo para que se vislumbre exactamente quem irá ocupar a presidência no mandato que se segue. Tudo depende dos resultados do “estágio” da provável futura candidata e do esforço (e perspicácia) do PS e do PSD para contrariar a cor vermelha, há 39 anos no poder em Montemor-o-Novo.

E o futuro de Carlos Pinto de Sá? Isso só a ele diz respeito, independentemente do rumo que tomar.

 

sábado, 3 de novembro de 2012




Em 1960, o primeiro debate televisionado entre os dois candidatos à cadeira da Sala Oval (Nixon e Kennedy) foi decisivo para a vitória do mítico JFK. Em 2012 é um furacão arrasador que vai ajudar a decidir quem ocupará o lugar do que dizem ser o homem mais poderoso do mundo. Coisas da Natureza.

domingo, 28 de outubro de 2012

Um cantinho mágico

 
 
Um amigo dizia-me ontem no Cine-Teatro Curvo Semedo, no Concerto de Paulo de Carvalho com a Banda de Lavre: "Aqui, neste cantinho do Alentejo, fazem-se coisas extarordinárias!"
Mais palavras para quê?

domingo, 21 de outubro de 2012

Um abraço, Manel!


 
 
Sem querer transformar este Cloreto num Panteão Local, não posso deixar de recordar Manuel Justino Ferreira, que desapareceu fisicamente do nosso convívio há dez anos. Porém, continua vivo o poeta, o músico, o encenador, o actor, o inventor de histórias, o contador de anedotas, o acompanhador de fado, o homem da noite e dos amigos e um louca e eternamente apaixonado pela Torre do Relógio. Também ele marcou gerações, instituições e colectividades com o seu inesquecível talento e jeito peculiar de ser e de estar.
O Manuel Justino nunca foi um homem de teres e haveres. Foi sempre o homem das palavras escritas, das palavras ditas e, quantas vezes, das palavras malditas. Foram essas as que mais me cativaram.
Um abraço cheio de saudade.
P.S.: Nestes dez anos, nos encontros com o teu filho Manuel Henrique, com o Leopoldo Gomes ou com o Manuel Filipe Vieira, o teu nome vem sempre à baila, por este ou por aquele motivo, ou só porque sim, porque temos saudades dos teus momentos de grande humor e da escrita tão terna quanto provocadora. Desculpa tratar-te por tu, mas sinto-me assim mais próximo da tua poesia e do espaço onde agora habitas. O pessoal também te manda um abraço fraterno.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

XVIII Concerto de Outono (Vocalidades 2012)



Foi mais uma tarde de grande convívio musical e... humano. A música tem destas coisas. Obrigado aos coros convidados, ao público presente e às entidades patrocinadoras.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Pirulito


Não há-de faltar muito para regressarmos ao cultivo da terra como forma única de sobrevivência. Foram uns anos de pousio, a mando da União Europeia e dos poderosos que nela têm mandado. “Parem as sementeiras que a gente manda para aí dinheiro”, diziam eles. E nós, ignorantes e a pensar na chuva de milhões, assim fizemos. E a terra, que tudo dá, por aqui ficou, seca, estéril, ao abandono, neste Alentejo outrora um mar de ouro e fonte de riqueza inesgotável.   
Hoje, muitos dos meus amigos, para poderem fazer algumas refeições decentes, ressuscitaram uma leira de terra, que era do pai ou do avô, onde vão cultivando batatas, cenouras, couves, feijão e outros produtos, ao sabor das estações do ano. Porque se aproximam dias ainda mais difíceis e o regresso à terra parece ser a única solução para minimizar os estragos. Com as políticas fiscais e de cortes, o comércio vai parar, a indústria já está a ficar parada, os desempregados são aos milhares, o euro fica cada vez mais desvalorizado e os jovens recém-formados, garantia de futuro deste pardieiro assustadoramente mal frequentado, continuam em casa dos pais, porque para arrendarem uma casa para si e ficarem autónomos é fundamental uma garantia de emprego.
Não vale a pena disfarçar mais. A maioria dos portugueses começa a não ter para onde se virar, começando já a manifestar-se nas ruas, pacificamente, fazendo ver aos que não querem ver que vamos, cada vez com mais certezas, para o fundo, sem capacidade para resolver, como era hábito, as questões de vária ordem do nosso dia-a-dia. Pieguices, naturalmente, como iria alguém…
            A panela de pressão em que transformaram Portugal não tem pirulito. Pode, por isso, explodir a qualquer momento. E depois?

sábado, 29 de setembro de 2012

Até já, Padre Alberto


Partiu o Padre Alberto Dias Barbosa, após 62 anos a viver e a pregar a Palavra em Montemor-o-Novo, que o recebeu como pároco da Freguesia de Nossa da Vila, em Janeiro de 1950. Amigo do Património local, lutou pela recuperação de inúmeros monumentos religiosos. Amigo dos jovens, acolheu na sua igreja grupos de rapazes e raparigas que animavam a celebração da eucaristia com cânticos modernos, acompanhados por verdadeiros conjuntos de baile, conseguindo assim cativar os adolescentes, cujos comportamentos influenciou de sobremaneira, respeitando as diferenças entre eles e fomentando a amizade entre todos.
Foi o principal responsável pelo ressurgimento de “O Montemorense”, o único jornal local durante décadas, do qual foi director durante mais de 50 anos. Em 89 surge a “Folha de Montemor” e as naturais e saudáveis rivalidades de estilo e conteúdo. Os jornais procuravam, cada um à sua maneira, servir a população do concelho, tentando abordar temas que se coadunassem com a sua linha editorial. As temáticas abordadas pela “Folha”, um jornal acabado de nascer e fundado por um grupo de gente com sangue na guelra, eram, para o Padre Alberto, algo ousadas e, por vezes… desajustadas. Por causa disso mesmo, tivemos as nossas trocas de artigos que, por vezes, incendiavam a opinião pública.
Mas a amizade e o respeito mútuo falaram sempre mais alto e quando, no dia 28, me despedi, na Igreja do Calvário, do padre que baptizou os meus filhos gémeos, recordei e agradeci-lhe uma breve passagem ocorrida no início dos anos 80: quando o meu amigo Leopoldo Gomes lhe disse que havia um jovem estudante universitário que escrevia umas coisas que poderiam ser publicadas n’ “O Montemorense”, ele responde-lhe: “Esse rapaz escreve umas coisas? Então traga lá um texto dele para eu ver o que ele escreve.” E o Leopoldo assim fez.
O rapaz era eu.
Obrigado, Padre Alberto e até breve.
 

 

             

 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A Bem da Nação

 
Estou assustado com a maneira como o texto da Constituição Portuguesa é utilizado pelas diversas personalidades do nosso Estado. Quando é conveniente, invoca-se o documento para defender interesses e demagogias. Mas ignora-se vergonhosamente o que lá está escrito, quando é para se tomarem medidas para tramar o povo, fazendo do documento estruturante da nossa democracia uma verdadeira palhaçada. Tivemos uma ditadura assumida durante 48 anos. E hoje, que raio de democracia é esta? Será a bem da nação?

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A mão e a palmatória

Há uns anos ri-me aqui, em directo, da minha fofa e das amigas que iam, ao serão, fazer as suas caminhadas habituais. Elas na sua passada ritmada, enérgica e saudável e eu no sofá, a ler, a ver uns filmes, umas séries americanas, a escrevinhar umas baboseiras para os blogues ou para os jornais… Hoje, faço exactamente a mesma coisa mas acrescentei mais uma actividade a estas todas. Hoje vou com elas às caminhadas e assumo publicamente que devia ter começado mais cedo.
 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Mais mobilidade, mais saúde


 
 
Terminou mais uma edição da Feira da Luz. Mais uma vez o autocarro e os comboios que percorriam parte da cidade de Montemor foram de grande utilidade, sobretudo para os mais idosos que, muito naturalmente, têm maior dificuldade de locomoção. Mais uma vez, durante as viagens que fiz, se discutiu a necessidade de haver um pequeno autocarro que, diariamente, permitisse aos montemorenses com mais idade a possibilidade de serem mais autónomos de forma a poderem ir às compras, ao médico, aos Correios, à farmácia ou, muito simplesmente, passear pela cidade, a troco de um passe social com valor acessível, que desse para cobrir algumas despesas.
A ideia não é original. Todos os anos, após a Feira da Luz, se fala no assunto mas, depois, ficamos todos por aqui. Não percebo nada de custos, mas se há outras situações que são viáveis e de fácil financiamento, penso que a Câmara Municipal devia pensar seriamente em implementar esta ideia.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Demitido

 
Os milhares de professores que acabaram de ficar sem emprego são a consequência de uma prolongada política de erros crassos que, mais tarde ou mais cedo, tinha de dar nisto. Pode parecer uma enorme alarvidade da minha parte mas o problema começou ainda antes do 25 de Abril, quando toda a gente podia ir para o ensino. Muitos jovens, com o 7.º ano dos liceus (actual 11.º ano), iam dar umas aulas enquanto não arranjavam um emprego “a sério”! De há uns anos a esta parte, felizmente, isso não acontece. Pelo contrário, a grelha apertou de tal forma que até professores com 10 ou 15 anos de serviço, com uma prática excelente e apaixonada, acabaram agora de ficar sem emprego.
Que se faça uma avaliação docente correcta e justa dos docentes, diferente da última que fomos obrigados a cumprir, e se conclua quem são os paraquedistas e quem são os professores de carreira, que levam a coisa a sério e se preocupam, de facto, em transmitir conhecimentos. Talvez assim estes despedimentos fossem menos injustos.

sábado, 1 de setembro de 2012

Gémeos especiais

 
Há 18 anos tinha início a Segunda Revolução das nossas vidas: os gémeos viram pela primeira vez a luz do dia, saudáveis e com ar feliz. Como hoje. Depois do 1.º de Setembro de 1994... nada ficou como antes. Há bençãos assim.

domingo, 12 de agosto de 2012

Há que arribar, pessoal!



Com as Olimpíadas 2012, os britânicos recuperaram o orgulho patriótico que lhes veio desde Isabel I (com o I Império Britânico) e, depois, em grande força, com a Rainha Victoria (II Império).
Impérios à parte, fazia-nos falta, a nós, povo luso, um pouco mais de amor-próprio. Assim, à inglesa.
Ou, então, um divã de psiquiatra onde possam caber perto de 10 milhões de portugueses numa consulta de urgência.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

It's not THE END!


Terminam hoje, Sexta, as filmagens da curta-metragem do jovem realizador (e cantor, e actor, e músico)  Paulo Quedas, com interpretações de Lúcia Moniz, Bernardino Samina e Bia Estróia. Uma semana intensa, durante a qual uma equipa DO OUTRO MUNDO pôs em película vivências muito pessoais mas que, no écran, acabam por tornar-se universais. Foi um privilégio estar envolvido neste mundo de sonhos que é o cinema mas que se torna também um modo de... pacificação com o nosso próprio passado. Obrigado, Maria. Obrigado, Hugo. Obrigado, Paulo. Obrigado, Lúcia. Obrigado, Dino. Obrigado, Bia. Obrigado, Bernardo. Obrigado, Tiago. Obrigado, Graça. Obrigado, Todinha. Obrigado, David. Obrigado, Tomás. Vocês existem?

sábado, 21 de julho de 2012

O fim dos partidos políticos


No meio de outras preocupações, estou igualmente preocupado com as próximas Eleições Autárquicas. São já para o ano. Ando afastado das movimentações partidárias no nosso concelho (mea culpa), por isso não sei o que está a ser feito em termos de preparação a nível de cada partido para chegar ao topo do Poder Local.
Cá por mim, acabavam-se com os cidadãos apoiados pelos partidos políticos. Cidadãos independentes e apartidários cadidatavam-se e submetiam-se à decisão dos munícipes. O vencedor escolheria a equipa com que iria governar o concelho nos próximos quatro anos. Não sei se resultava, mas sem experimentarmos nunca o saberemos. É que os partidos e as lutas partidárias já passaram de moda e só empatam.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ai, o Euro!


Aflijo-me sem saber se Portugal sairá ou não do Euro… Bom, do Euro futebolístico já saiu. Dizem que de cabeça levantada e eu não percebi porquê… de cabeça levantada? Então o pessoal vai lá para perder? Eu, quando jogo às cartas ou aos matraquilhos com a minha fofa, nem que seja a feijões, é sempre para ganhar. Ficar pelo caminho, quando temos o melhor (dizem) e o mais maniento (digo eu) jogador do mundo na equipa…? Acho mau. Muito mau. Parece coisa de político de esquerda que, perdendo as eleições, acha sempre que ganhou alguma coisa. Se os espanhóis soubessem fazer manguitos era o que teriam feito depois do golo da vitória.

sábado, 14 de julho de 2012

Um aplauso para Vítor Guita

(Foto: Manuel Filipe Vieira)
          Excerto da minha intervenção na Homenagem a Vítor Guita:

            Hoje, nesta circunstância tão especial, vivo um verdadeiro momento de aflição quase existencialista, porque tenho tantas coisas para dizer, outras tantas para revelar, que vou receber discretamente um recado do presidente da sessão para me calar, porque vou claramente ultrapassar o tempo que me é destinado. Pois mesmo que haja essa dita repreensão, não me calarei enquanto não disser o que me trouxe até aqui.
            E o que eu venho aqui dizer é, antes de mais, manifestar o privilégio que é privar, desde há muitos anos, com o Vítor nas mais variadas vertentes em que ele se tem envolvido ao longo da sua vida que, a ser contabilizada como devia, já daria para umas três vidas, mais ano menos ano, de um qualquer cidadão normal.
           O Vítor nunca gostou de pantufas, nem de roupão, nem de sofá. O Vítor nunca gostou de mentir, nem de fingir, nem de fugir aos que dele precisam.
 Ora vamos lá por partes: se falarmos de música, o Vítor está lá. Começou por aprender violino (“Tive pena de não ter continuado”, confessou-me ele um dia). Mas não foi por isso que a música deixou alguma vez de fazer parte da sua vida. Esteve na fundação do célebre grupo de baile Quinteto Zeus+1, está no Coral de São Domingos há 25 anos, é professor aqui, neste Convento, nos Cursos da Universidade Sénior, orienta a Tuna dessa Universidade e anda agora a aprender cavaquinho.
 Se falarmos de teatro, temos de recuar aos finais dos anos 70, quando o jovem Vítor Raul esteve com um pé no Conservatório Nacional de Lisboa e o outro pé na Universidade Clássica de Lisboa. Uma bifurcação que o obrigou a optar, não sei se por razões de preferência. Depois de ter feito dois anos de Sociologia, em Évora, foi cursar Letras e pôs de lado a ideia de se matricular naquela grande escola da altura que era o Conservatório Nacional. Mas também não foi isso que o levou a esquecer o teatro. Pelo contrário. Fez parte, desde sempre, de diversos grupos cénicos em Montemor, como actor e encenador, vivendo a adrenalina do palco e dos bastidores vezes sem conta.
           E foi na Escola Secundária da nossa terra, onde trabalhámos juntos como professores (hoje só lá estou eu. Eu e outros), que o Vítor veio transformar o teatro, obrigatório nos programas escolares de Português, peças sem o som dos actores e sem o indispensável pó de palco, veio transformar esse teatro… meramente teórico e, arrisco-me a dizer, por vezes, enfadonho, em peças representadas na Secundária de Montemor, em diversas escolas do país, no Cineteatro Curvo Semedo, aqui com destaque para duas grandes produções de saudosa memória, saídas da pena do Professor Carlos Cebola e com encenação do próprio Vítor: João Cidade e Tamar.
Depois do Vítor, o teatro amador feito em Montemor começou a ser feito profissionalmente por amadores, o que passou a ser totalmente diferente. Dos inúmeros jovens que com ele trabalharam, alguns vieram a destacar-se, quer a nível local, quer nacional, como os casos paradigmáticos dos actores e encenadores montemorenses Hugo Sovelas e Carlos Marques. Impossível, também, esquecer a Associação Theatron da qual ele faz parte como actor e em cujas produções representa com o mesmo profissionalismo, quer as personagens mais secundárias, quer as de maior relevo nos dramas.
É curioso recordar que o teatro foi para ele uma forma moderna, ainda antes do 25 de Abril, de, pedagogicamente, reeducar os que, pelos mais variados motivos estavam sob a sua responsabilidade na prisão do Alfeite, onde o tenente Vítor cumpriu o serviço militar como fuzileiro, servindo o país, mas sempre desconfiado do país que servia.
Se falarmos na escrita, somos forçados, com prazer, a relembrar a forma quase queirosiana com que nos delicia, descrevendo nas suas crónicas nos jornais da terra, os quotidianos, os vícios e as virtudes de Montemor e dos montemorenses de outros tempos. O seu olhar crítico, a sua escrita cuidada, sem dar tréguas ao laxismo ou às palavras ao acaso, com o seu adjectivo exacto para o substantivo absolutamente oportuno, fazem da sua escrita um rendilhado de bilros, uma aguarela de Cézanne ou de Monet ou um quadro futurista de Paula Rego. E teremos de referir a sua enorme paixão por Montemor e por escritores de Montemor: por Curvo Semedo, cuja memória ele reabilitou nos 150 anos da sua morte, em 1998; por Almeida Faria e, sobretudo, pelo seu grande amigo de sempre, o saudoso João Alfacinha da Silva, o Alface, que ele recorda publicamente sempre que pode e sempre, sempre com um brilho feliz no olhar. Um brilho que é um misto de gozo secreto, de saudade e de cumplicidade para além da morte.
Falámos da música, do teatro e da escrita. Ainda não falámos das três dezenas de anos que o Vítor passou a ensinar Francês, Português e Literatura a centenas e centenas de jovens que hoje, e já nessa altura, o consideravam um dos grandes professores que passou pela Escola Secundária de Montemor. O Vítor não ensinava só o que vinha nos livros (aliás, o Vítor nunca teria precisado de livros. Bastar-lhe-ia uma sala, um quadro e uma turma para fazer daquele tempo de aprendizagem uma aventura de saber e de conquista sem igual). O Vítor nunca olhava só para o aluno. Olhava, qual Blimunda de Saramago, para dentro dele e tentava perceber onde estavam os seus pontos fortes para os realçar ainda mais, no decorrer das aulas, nos ensaios de teatro ou em conversas de amigo. O Vítor nunca obrigou ninguém a coisa nenhuma. As palavras do Vítor não se escutam. Bebem-se. O Vítor foi e é assim: aponta caminhos, mostra o que sente, e depois que cada um que faça como achar melhor.
 Ao falarmos dos quatro vértices deste quadrado perfeito - Música, Teatro, Escrita e Ensino - ficámos com o interior desse quadrado disponível para falamos também do Homem, do Pai e do Marido que tem arrastado consigo, no bom sentido claro, a Maria Emília e a Vera que, mais visivelmente ou mais nos bastidores, dão sequência ao seu trabalho, são o seu apoio, o seu consciente e o seu alter-ego. Não estão, nem atrás, nem à frente dele. Estão ao lado. Exactamente no meio do quadrado. Atentas ao Homem e aos seus quatro vértices. Estiveram lá sempre. E hão-de continuar a estar.

Durante muitos anos, em muitas ocasiões, tenho humildemente tentado corresponder às solicitações do Vítor. Porque a um Amigo que nunca diz que não a ninguém, também nunca lhe podemos dizer que não. Mas não é só por isso. É que, trabalhar ao seu lado, a dirigi-lo ou a ser dirigido por ele, são sempre momentos em que recebemos da sua parte uma enorme generosidade e uma sólida aprendizagem, porque ambos damos tudo o que temos, o melhor que sabemos, com o coração nas mãos e sem pedir nada em troca um ao outro. A nossa amizade é o suficiente.
Antes de terminar, não resisto em falar em mais um dos muitos prazeres que o Vítor retira da Vida. O prazer da Mesa. Da mesa farta. Repleta de iguarias, sobretudo alentejanas, magistralmente confeccionadas pela Maria Emília. Uma mesa farta também de Amigos de todas as nacionalidades, raças, religiões e estratos sociais que vão fazendo da sua casa, uma espécie de sucursal das Nações Unidas. Mas unidas. Mesmo.
Agora sim, à laia de final e para que conste, e porque há muita gente ainda que não o sabe, o nome do homenageado é Vítor Raul. Não é Vítor Abdul. O nome Abdul ganhou ele de quem era amigo do seu saudoso pai, Abdul Salgado Guita, de quem também tive o privilégio de, ainda adolescente, conhecer e ser amigo. Mas quando se referem ao Vítor como Vítor Abdul, ele também nunca disse que não era esse o seu nome. Porque, afinal, há filhos que dos pais até o nome herdam mesmo que o seu seja outro. É uma forma de ficarem eternamente juntos.
Parabéns, Vítor e Obrigado.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

E não os podem exterminar?



Continuo sem perceber como vai acabar a questão da Casa Pia, como se resolverá o problema do BPN e de todos os outros casos de polícia que envolvem governantes, autarcas e deputados. Expliquem-me, como se eu fosse muito burrinho, por que é que os funcionários públicos se tornaram o alvo fácil deste Governo que, sem limites nem escrúpulos, rebenta com eles todos os dias, com cortes, mobilidades, rescisões amigáveis… Digam-me o que vão fazer os milhares de professores, muitos sendo marido e mulher, quando forem despedidos pelo ministério da educação, no próximo mês de Setembro? Como estão a resolver a vida as centenas de casais já despedidos nos últimos meses, profissionais dos mais variados ramos?
Quando é que se ataca quem, verdadeiramente, pôs o país de pantanas? Mas agora vai tudo de férias e depois logo se vê, não é? Em Agosto, aproveitando a distracção da malta, serão aprovadas novas medidas de austeridade e, quando o pessoal regressar ao trabalho, muitos encontrarão abertas as portas do desemprego. O Governo sabe o que faz e quando o faz, ao som da voz monocórdica e belíssima para adormecer putos endiabrados (e cidadãos distraídos) do nosso querido ministro Gaspar. Quando terminar o mandato tenho a certeza absolutíssima de que vai para director de programas da Baby TV.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

O estranho cada vez mais comum



Não é preciso ler os artigos do Pedro Strecht, do Nuno Lobo Antunes, do Eduardo Sá, tudo pessoal da psicologia e psiquiatria para perceber que há cada vez mais crianças que dividem a vida entre a casa da mãe e a casa do pai. Basta ser professor para entender que, de ano para ano, são situações que aumentam sem vir daí grande mal ao mundo. Também sei que nem sempre assim acontece, mas os miúdos perdem um ambiente de família tradicional, muitas vezes desequilibrado, e ganham, por vezes, dois bons ambientes, dois pais, duas mães e uma série de irmãos, o que não significa ser menos bom.
Nem sempre é fácil aceitar a situação, mas os primeiros a manifestar agrado ou desagrado, serão as crianças. Aí, há que ficar alerta e tratar do assunto. Os pais legítimos (e os “emprestados”) só terão de fazer o possível para os trazerem felizes. Não é preciso ler os artigos daqueles especialistas, mas são sempre úteis. Muito úteis.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Quando me levarem... será demasiado tarde


Li há pouco este pensamento tribuído a um grande poeta e dramaturgo alemão e fiquei a pensar seriamente que ele, NESTE momento, tal como HÁ 70 ANOS, tem toda a razão. Ora leiam:

"Primeiro levaram os comunistas, mas eu não me importei porque não era nada comigo. Em seguida levaram alguns operários, mas a mim não me afectou porque não sou operário. Depois prenderam os sindicalistas, mas eu não me incomodei porque nunca fui sindicalista. Logo a seguir chegou a vez de alguns padres, mas como não sou religioso, também não liguei. Agora levaram-me a mim e quando percebi, já era tarde.'
A INIFERENÇA, Bertolt Brecht
(Dramaturgo alemão, 1898-1956)

As classes profissionais do nosso país estão a ter este preciso comportamento: os problemas dos outros NÃO nos afectam. Quando me levarem... perceberei que já será tarde.
                           ............................................................

Mão amiga fez-me chegar um poema muito parecido ("E Não sobrou Ninguém") do pastor luterano alemão Martin Niemöller (1892-1984), que transcrevo a seguir:

Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me,
porque, afinal, eu não era comunista.
Quando eles prenderam os sociais-democratas,
eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata.
Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei,
porque, afinal, eu não era sindicalista.
Quando levaram os judeus, eu não protestei,
porque, afinal,eu não era judeu.
Quando eles me levaram,
não havia mais quem protestasse."

As semelhanças de conteúdo são, de facto, muitas e só na posse dos poemas em alemão original se poderá definir quem escreveu o quê ou quem inspirou quem, mas, independentemente disso, são dois textos profundamente actuais.




terça-feira, 3 de julho de 2012

XIX Econtro de Coros



VOCALIDADES 2012

 Sábado, 7 de Julho, 18.00
Igreja do Convento de São Domingos

 XIX Encontro de Coros/VI Encontro Internacional de Coros
da Cidade de Montemor-o-Novo
com
Coral de São Domingos (Portugal)
 Quatuor Laqué (Suíça)
Coro de la Universidad de Extremadura (Espanha)
(Só começamos quando tu chegares!!!)

domingo, 24 de junho de 2012

Férias na praia? Já lá vai o tempo....



Vêm aí as férias. Muitos portugueses, com os subsídios de férias cativos para pagamento dos grandes buracos criados por verdadeiras corjas de malfeitores, não terão alternativa: ficam em casa, com os pés de molho num alguidar com água fresca, à espera de melhores dias. A minha fofa já comprou dois: um para nós e outro para os vizinhos de cima. De barro, para a água se aguentar fresquinha durante mais tempo. E comprou também um saquinho de sal de cozinha. Sempre ficamos com o sabor a mar nas canelas.
A “economia de Verão” vai, portanto, ser uma catástrofe. Centenas de restaurantes, das duas, uma: ou fazem preços rastejantes, e não terão retorno suficiente para pagar aos fornecedores, ou terão de encerrar portas; se baixarem os preços… vão ter de fechar na mesma. Os hotéis irão funcionar a meio-gás com o dinheiro de alguns camones e nós, a malta normal, mais uma vez, ficaremos sem capacidade para gozarmos aquilo que é nosso: as nossas praias, o nosso Sol, o nosso país meio devassado por incompetentes.
E como isto está tudo muito deprimente, vou acabar por aqui para ir dar uma massagem à minha fofa, que hoje acordou com os músculos tensos na zona do pescoço.. Até logo.





quinta-feira, 21 de junho de 2012

Os secretos


As Secretas, que noutros tempos tinham um nome diferente, continuam na ordem do dia. Há suspeitas de cenas manhosas mas os assuntos ficam a marinar, até que tudo mergulhe no mundo do esquecimento onde já por lá flutuam casos e casos de corrupção que, afinal, até nem eram. Mas precisamos de ter algum cuidado ao fazermos um download ilegal da Internet. Se formos descobertos, poderemos ir a julgamento e cumprir pena de prisão.

sábado, 16 de junho de 2012

És competente? Vai-te embora





Emigrar continua a ser uma das opções do pessoal que se forma e que, com vários diplomas na mão, é desprezado pelo seu próprio país que o formou. E assim vamos vivendo. Os crânios desaparecem de cá enquanto o diabo esfrega um olho, e outras comunidades, sobretudo nos Estados Unidos e na Inglaterra, ficam mais enriquecidas. Nós somos assim: eternamente parvos, dando aos outros de mão-beijada quem nos fica a fazer falta.
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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Conhecimento



Estamos no final do ano lectivo. Com este ou com outro ministro, as cenas repetem-se, com os alunos aflitos na última semana de aulas, à espera de um milagre que mude a classificação que foram construindo ao longo de 9 meses de (não) trabalho e que, pelos vistos, acabou por fazer jus à pouca vontade de abrir os livros e de se dedicarem um pouco mais à coisa. Sabemos que o futuro não é seguro nem brilhante, mas o Conhecimento continua a ser a arma mais poderosa que o ser humano pode ter. Quando comparados com o poder deste acervo cultural, o dinheiro, os padrinhos, os títulos e as honrarias nada valem. E a maioria dos alunos, lamentavelmente, ainda não entendeu isso. 

sábado, 9 de junho de 2012

Euro 2012? Ná...


          Trocam-se opiniões sobre a participação de Portugal no Euro 2012. Por mim, quanto mais depressa regressarem… melhor. O cerne do problema não se prende apenas com a questão financeira. Prende-se com a questão moral. Não há moralidade para se participar num evento desta envergadura enquanto houver crianças em Portugal, cuja única refeição diária é que a que tomam na cantina da sua escola; enquanto houver 15% de desempregados; enquanto houver faltas graves na Saúde, no Ensino, na Indústria, no Comércio, nos Transportes e cortes descarados nos salários de quem sempre cumpriu honestamente as suas obrigações; enquanto houver tipos que engordam à custa dos outros, que nunca roubaram nada a ninguém; enquanto neste país se protegerem criminosos de todas a espécie, pedófilos, homicidas, ladrões, boys e girls a viverem de tachos fenomenais.

Claro que há lobbies, há interesses que servem a uma corja a quem os três Efes continuam a dar muito jeito. Mas eu já não tenho idade, nem feitio, para me distrair nem com o Futebol, nem com o Fado, nem com Fátima. E que isto não signifique desrespeito por quem acredita, ou precisa, destes três apoios para se divertir, para se esquecer dos problemas ou para se sentir mais seguro. O que eu quero são soluções concretas que ajudem os que mais precisam. 

Por tudo isto, e por muito mais que eu não devo aqui escrever, termos uma selecção de futebol a disputar o Euro é uma ofensa para qualquer português digno desse nome. Tenho pena, muita pena, que os lobbies e os interesses falem mais alto do que a vontade política e prática de resolver os problemas gravíssimos que o país atravessa. Não me queiram obrigar a aceitar outra vez os salazarentos três Efes, porque para esse peditório já demos e, por causa dele, ficámos mais inconscientes, mais aparvalhados, mais burricalhos. E isso foi coisa da qual ainda não estamos curados.

(Texto escrito antes do início do jogo Portugal-Alemanha)

domingo, 3 de junho de 2012

2 de Junho: Joana, Finalista

O perfil perfeito
Há sempre um palhacinho de serviço


As madrinhas mais bonitas da cerimónia

O momento solene



Os pais mais lindos da cerimónia
Um momento de descontracção

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Emigração


           Quando aquele senhor que representa o papel de primeiro-ministro disse, até com algum entusiasmo, que o melhor que poderíamos fazer, em caso de crise, seria emigrar, o senhor não se apercebeu bem das consequências das suas palavras. Ou então estava a pensar no que fizeram os seus antecessores.
Ora vamos lá a ver: Guterres, quando se viu aflito… emigrou. Mr. Barroso, quando viu que o país estava de pantanas, após a sua governação… emigrou. Sócrates (ainda não sei se ele é Sr. Eng.º ou não) quando viu o resultado das obscenidades do seu staff durante a sua completa desgovernação… emigrou.
Pois quero informar os meus 10 leitores (sim, já são dez, não contando com a minha mãe e o meu sogro), que Passos Coelho está a preparar-nos para o que aí vem. Quando ele chegar à conclusão que não consegue pôr mão na despesa do Estado e que ele e o seu Governo vão começar a andar em constantes contradições, pois só terá uma coisa a fazer: emigrar.
Boa viagem e beijos à prima (se a tiver).





segunda-feira, 14 de maio de 2012

Escândalo?


O país ficou escandalizado com a correria às lojas Pingo Doce, por causa das promoções que essa cadeia de supermercados levou a cabo no dia 1 de Maio. Eu não me escandalizo com essas coisas. Ficou muito irritado é com os nossos governantes que continuam a pedir sacrifícios ao pessoal e a deixar alguns barões à vontadex a fazer o que bem lhes apetece. Isso é que continua a ser um escândalo… Agora, aquilo do Pingo Doce… São minudências se comparadas com a cambada de gatunos que anda à solta por aí.
O pessoal não anda curto de massas? Então aproveita qualquer oferta que se lhe faça. Eu só não fui porque já imaginava a confusão de gente que aquilo ia dar. Claro que os exageros são de condenar. Mas a medida veio ajudar muitos que estavam a necessitar de ajuda, veio promover o nome da empresa e veio fazer concorrência a outras do género que, em breve, lhe vão seguir o exemplo. Oxalá. O povo, à rasca, agradecia. De qualquer forma, o que me deixou preocupado foi o comportamento de muitas pessoas que arrastaram tudo atrás de si e só não levaram a menina da caixa porque ela não quis ir.
Esta movimentação de massas no dia 1 de Maio, dia do Trabalhador, veio provar, pelo menos três coisas: estamos em crise e há que aproveitar as ofertas; o dia do Trabalhador ficou para segundo plano nas aberturas dos telejornais, o que significa que a malta se está marimbando para essas coisas; e a ideia do Pingo Doce (esta será, talvez, a prova mais importante) serviu de balão de ensaio para testar o comportamento do povo quando, um dia, em situação de guerra, catástrofe ou de crise aguda, for mesmo necessário ir aos supermercados açambarcar tudo o que vier à mão, roubando os produtos do carrinho do vizinho, invadindo selvaticamente as instalações numa atitude de salve-se quem puder, lutando por uma côdea de pão duro.
Como diria Astérix, o Gaulês, oxalá amanhã não seja a véspera desse dia.

sábado, 12 de maio de 2012

Paixões


Esta é a paixão da Joana.
Quando, ainda muito pequena, a mãe lhe perguntou se queria que lhe comprasse umas sapatilhas de ballet, para entrar na Escola de Ballet, aqui em Montemor, ela respondeu: "Compra-me antes uns pitons". E comprámos.

Bernardo Sassetti


          Faleceu um dos grandes pianistas e compositores da minha geração. Gostava que eles nunca partissem. Seríamos todos mais felizes. Condolências à família, aos amigos e à música portuguesa.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Coro Lopes-Graça em Montemor


“Roubo as canções ao povo e depois devolvo-as com juros."         
F. Lopes Graça
    
           Fundado em 1945, pelo compositor Fernando Lopes-Graça, o Coro da Academia de Amadores de Música, de Lisboa, continua a seguir os passos do Mestre através do talento e da generosidade de José Robert, assistente de Lopes-Graça desde 1977 e maestro titular do coro desde 1988, e de Ivo Castro, actual assistente de José Robert.
Para continuar a comemorar os seus 25 anos de existência, o Coral de São Domingos convidou este coro que é, no panorama da música coral portuguesa, uma indiscutível referência histórica e artística. É, provavelmente, o único coro do mundo que canta apenas obras de um único compositor!
            O Concerto deu-nos uma breve panorâmica do imenso trabalho de Lopes-Graça na área coral: peças tradicionais, peças originais sobre textos populares e, claro, algumas das suas Canções Heróicas. Para quem estuda música, para quem estuda Lopes-Graça e para quem canta num coro, foi um momento único. O Mestre Graça esteve ali, connosco, nas vozes daquele grupo que, quando canta, tem como objectivo primeiro cultivar o purismo que o compositor colocou em cada nota, em cada melodia popular, em cada harmonia que se estranha mas que se entranha no segundo seguinte. O Concerto foi, sem dúvida, a forma que tivemos de ficarmos mais próximos daquele que foi um dos compositores mais ousados, quer em termos técnicos, quer artísticos, quer políticos do século XX português.  
Uma vez por outra, a imagem do Maestro José Robert esbatia-se levemente e surgia a figura, pequena, franzina, de cabelos grisalhos de Lopes-Graça. Mas foi impressão minha, decerto.
             Obrigado Coro Lopes-Graça da Academia de Amadores de Música. Um abraço aos maestros José Robert e Ivo Castro.  Este não terá sido o nosso último encontro

domingo, 6 de maio de 2012

O dia das minhas mães


            Foi, em tempos, no dia 8 de Dezembro. Depois, por motivos que não vale a pena discutir, passou a ser celebrado no primeiro Domingo de Maio, o que não tem qualquer importância. O valor simbólico da data, esse é que conta. Mas não é fácil fazer uma homenagem à nossa Mãe. O que se pode dizer daquele ser humano quem foi a nossa fonte de vida, com a qual convivemos internamente, pequeninos, encolhidos, felizes, durante mais ou menos nove meses? Como poderemos agradecer o ter dito sim à nossa vida, quando poderia ter dito não? O que questionar sobre o seu amor incondicional, o seu sofrimento eterno pela felicidade do filho e da mulher do filho e dos netos, que são filhos duas vezes?
Mãe é, provavelmente, uma das palavras mais pronunciadas no mundo. É, sem dúvida, um dos graus de parentesco mais respeitados do universo. Mas, para mim, Mãe não é um grau de parentesco. É bastante superior a esse conceito terreno e limitado. É uma Fé e uma Esperança. Ser Mãe é ser tudo. É ser Mundo, Céu, Porto de Abrigo, Colo, Lágrima, Riso, Amor sem fim até ao último dia das nossas vidas.
É o que acho da minha Mãe e da Mãe que deu ao Mundo a Mulher que me escolheu, e que é a Mãe dos meus filhos. Obrigado às três.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

A finura de um livro

Mão amiga fez-me chegar, em pleno cemitério de São Francisco, imaginem, um livro fino. Fino, porque não é espesso. E fino, porque é de um recorte literário pouco habitual para o qual o título, sugestivo porque estranho, nos remete de imediato: História de um assassino vulgar e outras peças.
            Os discursos fragmentados que formam a colectânea, vindos de narradores nos limites da loucura, são bem o reflexo da própria divisão, diria, esquizofrénica, a que o ser humano é submetido, não poucas vezes, no decorrer da sua existência, esta, muitas vezes, um percurso em permanente borderline.
Não são poemas, não são contos, não são ensaios aquilo que li. À excepção da peça de teatro propriamente dita, não sei o que são. Mas são literatura. Da boa.  A confrontar-nos com o que de pior nos desafia desde que nascemos: os nossos medos, a nossa consciência, a nossa impotência, ou incompetência, de não termos escolhido outros caminhos que não este que nos trouxe até ao hoje. “O corpo é que paga”, diz-nos a canção de Variações. A mente é que paga, diz-nos Rui Sousa, o autor do livro.
Destaco, apelando a uma leitura urgente, “História de um Assassino Vulgar”, “Fragmento-Salazar” e “As Máscaras”, pelo seu conteúdo forte, actual, nu, cru e desassombrado, de reprimidos que regressam em nossa constante perseguição pessoal e colectiva; e “Guerra de Tróia”, pela viagem crítica a um dos grandes mitos da nossa civilização.
 O livro é da Angelus Novus, editora de Coimbra, foi publicado em 2002 e não sei por que razão absurda não me foi possível lê-lo mais cedo. (Faltava a mão amiga.)
             O autor, que não conheço, nasceu em 1979, na cidade de Évora, tem raízes em Montemor-o-Novo, onde trabalha actualmente e, um dia, se ele concordar, lá teremos de trocar umas ideias sobre as palavras e sobre o que elas… escondem.

Distraídos crónicos...

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