domingo, 28 de novembro de 2010

Cantares ao Menino, no dia 18


Vamos ter luzes de Natal a dar um pouco de alegria às ruas e largos da cidade. Independentemente da decisão da autarquia em relação a esta questão, a opinião dos montemorenses nunca iria reunir consenso. Uns achavam que não devia haver iluminações para não se gastar o dinheiro que podia vir a fazer falta noutras coisas; outros achavam que umas iluminações mais modestas, como as deste ano, não iriam fazer grande mossa nos cofres da Câmara e, pelo mesmo, o Natal não seria tão entristecido como os políticos de Lisboa queriam que fosse. Eu, cá por mim, gosto de andar pelas ruas e largos da cidade, a cantar ao Menino com o Coral de São Domingos, num cenário verdadeiramente natalício. De pobres não passamos. E outros, de ricos, também não passam.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

"O Montemorense" faz anos!


“O Montemorense”, mensário local e regional com várias décadas ao serviço da população, faz mais um ano de vida, o 29.º da 3.ª série. Foi nele que iniciei, em 1980, por iniciativa do meu amigo Leopoldo Gomes (genro de Tomé Adelino Vidigal, um dos fundadores), as lides na escrita jornalística. Interrompi essa missão para me dedicar, numa atitude assumidamente bairrista, a um outro projecto jornalístico que surgiu em 1989. Durante 14 anos escrevi exclusivamente para a “Folha de Montemor”.

Em 2003, após a minha saída desse projecto, fui convidado pelo padre Manuel Vieira para (re)integrar o grupo de colaboradores d’ “O Montemorense”, publicação a viver, nesse momento, uma “revolução” de imagem e até de conteúdo, sem no entanto deixar de seguir a linha editorial de índole cristã que a tinha caracterizado nas décadas anteriores. Mas o espaço era amplo e nele cabiam todas as ideias. Aceitei o convite e fiquei. E ainda lá estou.
Um abraço fraterno ao Director Pedro Conceição e a toda a equipa! 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

segunda-feira, 15 de novembro de 2010



… O país está agonizante. Depois de termos confiado os nossos destinos a dezenas de políticos, ao longo destes trinta e tal anos depois de Abril, decidi que NUNCA mais vou votar. É esta desilusão que me invade que me faz ter a certeza de que mais ninguém se irá sentar na cadeira do poder com o meu voto. Se ninguém votar, ou se todos votarem em branco, a ficção de Saramago (Ensaio sobre a Lucidez) será uma realidade. E depois? Para caos, caos e meio. A liberdade, conquistada há uns anos nesse mesmo Abril, dá-me a possibilidade de, livremente, não confiar em mais nenhum político deste quintal cada vez mais malcheiroso e assustadoramente mal frequentado.




sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A entrevista... completa



Saíu hoje no jornal "Folha de Montemor" uma entrevista ao autor deste blogue, a propósito do lançamento do livro da sua autoria Outros Contos de Vila Nova.  Como a entrevista, realizada por escrito, enferma de algumas lacunas à qual o entrevistado é alheio, aqui fica o texto integral, ainda assim, com o seu pedido de desculpa aos lesados.
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1/ Este é o terceiro livro de contos. Pode dizer-se que é de facto o género literário preferido de João Luís Nabo? Porquê?

É, de facto, o meu género narrativo preferido. O conto pressupõe a utilização de uma dinâmica diferente no contar da história e, também, uma capacidade de economia narrativa. Digamos que a técnica de utilização da “quadratura” espaço/tempo/personagens/narrador é a que tenho treinado mais e que, por isso, utilizo mais. Sou, digamos, um curioso da escrita (escritores são o Saramago e o Lobo Antunes) de fôlego reduzido, mas que tenta utilizar essa característica da melhor forma. O Lago e O País do Esquecimento, duas pequenas novelas publicadas num só volume em 2005, vêm contrariar esta prática, porque são de uma extensão um pouco mais alargada. No entanto, são os contos que me fazem sentir mais confortável como contador de estórias.

2/Vila Nova é o centro da sua escrita. É um tributo que presta à cidade e suas gentes ou é porque estes contos partem sempre de episódios reais acontecidos em Montemor-o-Novo?

Vila Nova é, sem dúvida, (para quê negá-lo?), o nome ficcional da minha terra – Montemor-o-Novo – onde se passam aventuras simples, algumas estranhas, mas todas elas protagonizadas por personagens típicas, ligadas à povoação, com comportamentos característicos dos habitantes das vilas e aldeias do interior alentejano. Muitos leitores perguntam-me se eu passo para o papel histórias que me contam. Essa situação apenas aconteceu duas vezes: no conto “A Aposta”, que está na colectânea Alentejo Sem Fim (2004) e no conto “O Sinal”, publicado agora. Este último é uma história sobre a prisão do lutador antifascista montemorense João do Machado, um episódio que o próprio me contou há uns anos e que eu, com a sua autorização, ficcionei. Todas as outras narrativas são meras construções ficcionais sem qualquer ligação com acontecimentos reais.
No entanto, este livro tem algumas histórias de carácter muito pessoal, cujos protagonistas são precisamente membros da minha família – os meus filhos, a minha mulher e a minha mãe – o que não deixa de ser também um género um pouco “anfíbio”, uma mescla entre a autobiografia, as memórias e a ficção. Mas os leitores irão reparar que este terceiro livro é o mais “pessoal” e o mais introspectivo dos três, para além de ser dedicado ao meu pai que, neste momento concreto, merece todas as dedicatórias do mundo.

3/ A editora falou num possível romance. Para quando um romance de grande fôlego envolvendo a cidade?

Como referi anteriormente, sinto-me mais confortável na escrita de contos. Contudo, o romance é um objectivo que não se põe de parte. Há alguns projectos nesse sentido. Tenho um romance começado há uns anos, interrompido porque me apeteceu escrever contos (são mais práticos) e que aguarda agora novas investidas da minha parte. Como me escreveu uma amiga, terá de ser quando eu encontrar a altura certa. Mas a publicação de uma obra dessa envergadura não depende só de quem a escreve. Falo dos apoios que são fundamentais para levarmos adiante esse desiderato. Por exemplo, a Câmara Municipal de Montemor tem manifestado sempre uma enorme disponibilidade para apoiar a edição de todos os meus livros. Essa atitude, na minha opinião decisiva na concretização desses projectos, dá-me alguma segurança (a mim e à Editorial Tágide) para pensarmos seriamente no assunto. Devo assinalar também, desta vez, o apoio da Direcção Regional da Cultura do Alentejo, que muito nos honrou.

4/ Durante a apresentação do livro disse, cito, que “escrever ficção é sempre uma resposta ao caos que nos rodeia”. Para o João Luís a escrita é o tal ponto de equilíbrio num quotidiano muitas vezes absurdo?

A escrita, e a escrita de coisas inventadas, de ficção, portanto, é uma das formas de fugir ao real, mas com o objectivo de mostrar esse real sob um olhar crítico. Como refere Ítalo Calvino num dos seus ensaios, o acto da escrita parte sempre de um cenário de caos (são milhares as informações misturadas que temos ao nosso dispor para inserir nos contos) para, a partir daí, procedermos à organização dessa desordem, “limparmos” o que não faz falta, até termos a história que queremos que os outros leiam. Uma narrativa ficcional – conto, novela ou romance – é, assim, como se fosse um bloco de pedra que o escultor vai esculpindo, retirando tudo o que está a mais, eliminando todo e qualquer “ruído”, até ao aparecimento do objecto desejado, símbolo desse equilíbrio que se procura e não se encontra na vida de todos os dias. Só que, em vez de pedra, temos as palavras, mil vezes mais complexas, polissémicas e… terrivelmente fugidias.

5/ Segundo uma das responsáveis pela Editorial Tágide, uma das características dos seus contos, com muita acção e diálogos, é serem facilmente transponíveis para o teatro. Foi pensado?

Sou da área das literaturas. Logo, as minhas leituras passam pelos géneros literários todos: o narrativo, o lírico e o dramático. Por isso, é bem possível que na minha escrita haja a fusão dos três, de forma até inconsciente e que se manifesta nos meus textos, tal como foi referido na sessão. Curiosamente, “O Funeral da Dona Capitolina”, um dos contos do meu primeiro livro, foi encenado por alunos e professores da escola secundária onde trabalho e penso que resultou muito bem. Por isso, a Celina Veiga de Oliveira é capaz de ter razão. Mas quando estou a escrever não penso muito nessa questão. Nem muito nem pouco. Não penso, simplesmente.

6/Foi uma apresentação à qual compareceu imensa gente. Surpreendeu-o? Vê isso como a sua consagração como escritor ou as pessoas interessam-se mais quando se fala do seu espaço, da sua terra?

Consagração? Escritor? Não, claro que não. Na apresentação dos outros dois livros, a sala também esteve cheia. Por isso, o que senti foi, tão somente, um prazer imenso ao ver tanta gente que se deslocou à Biblioteca Municipal para ouvir e para ler o que escrevi desta vez. Percebi que continuo a ter muitos amigos que querem manifestar os seus afectos e a sua amizade estando presentes (quer chova, quer faça Sol) nos eventos onde estou envolvido. Senti que as pessoas vêem nos meus textos e na sua leitura uma forma de manifestarem também a sua paixão incondicional por Montemor, alguns, até, sem serem naturais da nossa cidade. Como professor que escreve contos, o que me deixa feliz é a vontade que as pessoas manifestam na leitura. E, sobretudo, quando alunos meus me dizem que andam a ler contos da minha autoria e me pedem pra autografar os livros que compraram. Isso é uma sensação indescritível. E ler é bom. Nem que seja uma história imaginária passada na terra onde nascemos, escrita por alguém com quem nos cruzamos na escola, na mercearia ou no mercado ou com quem tomamos um café às sextas-feiras de manhã.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Neve no alto do monte



Vai caindo, aos poucos, a neve, ao longo dos dias e, quando olhamos bem para o monte, reparamos que está bonito, alvo, de uma brancura serena. Quase não damos pela sua chegada mas, seguindo a lei da vida, a neve chega e fica. É então tempo de afrouxar o passo e, tantas vezes, encostar à berma da estrada já percorrida. Para sentir, de forma mais intensa, o valor da vida, os princípios que aprendemos e que aplicamos diariamente sem nos preocuparmos em perceber a sua origem. Para pensar a sério no valor dos afectos e das ligações entre pai e filho. Nunca as tinha imaginado tão fortes, nem vivido de forma tão intensa.



domingo, 7 de novembro de 2010

Eu queria uma ministra da educação. Obrigado.


A senhora, que o presidente da nossa dita república (regime que faz agora 100 anos, celebrados com esfusiantes manifestações de júbilo só para irritar os monárquicos como eu) empossou como ministra da educação, não me parece muito talhada para o cargo. Pode ter algum tacto para ganhar uns euros com umas histórias juvenis escritas à maneira da inimitável Enid Blyton, mas como ministra da educação, convenhamos que, nesse posto de tanta responsabilidade, o tactinho não é muito. Enfim, foi o melhor que Sócrates conseguiu arranjar, à pressa e meio atamancada, para acalmar os professores que já não podiam mais com a outra senhora, cujo nome já se me varreu, pela triste memória que ele invoca.

Para esta, a escritora de livros de aventuras, é tudo é muito giro, muito fixe, muito fantástico e, por isso, nada se tem resolvido para que os professores façam aquilo para que têm vocação (pelo menos grande parte deles): ENSINAR.
A senhora descobriu agora que o dia tem 24 horas (que giro!!), coisa que nós sabíamos há algum tempinho. Como é que ela acha que nós conseguimos dar aulas, preparar aulas, preparar reuniões, assistir a reuniões, entre outras tarefas, se o dia fosse mais pequeno? Portanto, ó santinha, não trate os meus alunos, nem os professores deles, como se tivessem todos 3 aninhos. E outra coisa: o professor não é um animador cultural ou um entertainer. Um professor ensina… se o ministério da educação o permitir.

Por isso, eu quero uma ministra da educação, não quero uma escritora de livros juvenis que vem fazer de ministra diante das câmaras de televisão. Nós, professores, sabemos perfeitamente que ela não é – repito, não é – uma ministra da educação. O que é, então? Não faço a mínima ideia.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A fuga dos galinhos


Portugal prepara-se para assistir à repetição, pela vez terceira, da mesma cena de fuga acobardada de quem já não sabe o que há-de fazer com o lixo que foi varrendo para debaixo do tapete. Lembram-se de um certo António Guterres? E de um inenarrável Durão Barroso? Lembram? Quando o barco começou a virar de borco, fugiram a setenta pés e foram sentar-se em tronos especiais, reservados para os ditos como recompensa merecida pelas obras feitas. Um deles, como Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, e o outro como Presidente da Comissão Europeia. Este último aparece amiúde nas televisões a lançar postas de pescada, em várias línguas, sobre a crise nacional e má-na-sê-quê, como se ele não tivesse parte na responsabilidade.

Gostava de saber para onde vai ser transferido o senhor engenheiro-quase-em-fuga. Que tacharrão é que o partido estará a preparar para o moço dar uso ao seu diploma? E os que cá ficam vão ter de sobreviver, não sabendo bem como, porque cada vez ganham menos e cada vez pagam mais impostos. Entretanto, continuam outros, os ligados ao poder e às grandes empresas ligadas ao poder, a nem sequer sentir que há crise. Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é profundamente vergonhoso.



terça-feira, 2 de novembro de 2010

Castelo novo?


           
(Imagem magnífica captada pelo PEDRO CARPETUDO e que eu roubei já não sei de onde - Não lhe digam!)

Pois o nosso castelo tem andado mesmo nas bocas do mundo nos últimos tempos. Quer por causa de uma certa Torre do Relógio que – dizem – ia desaparecer no dia 30, quer por ter ganho forma colorida depois do sol-pôr. Está um mimo. Parafraseando um slogan que já tem uns anos: “Montemor já merecia um castelo assim”. Agora… falta o resto, isto é, uma intervenção urgente para que a iluminação continue a fazer sentido.

Quando a minha fofa viu o castelo iluminado pensou que a colina mais alta do povoado tinha sido invadida por marcianos. Tive de lá ir com ela, mesmo juntinho às muralhas, para ela poder descansar o espírito. Eram apenas holofotes apontados estrategicamente às velhas muralhas. Nada de homenzinhos verdes, com três antenas ou um olho no meio da testa. Ela pareceu-me desiludida.



Distraídos crónicos...

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