domingo, 31 de janeiro de 2010

O Mal e a Mezinha













"A Natureza dá-nos tudo, dá-nos o Mal e a Mezinha" - foi este o lema da conversa que os "clientes" do Músicaolargo mantiveram com o Mestre José Salgueiro, ervanário, poeta e humanista, cuja voz se ergueu, prazeirosa, ao longo de um bom par de horas, para explicar como se pode ser saudável e prolongar assim a nossa passagem pela terra. E José Salgueiro, com 91 anos, é a prova bem viva do que aconselha aos outros.
Ficou combinado um novo encontro. Lá mais para a Primavera.

(Nota importante: o copo que se vê na foto da esquerda é meu. E não é chá: é Moscatel de Setúbal. Mas o Mestre perdoou-me.)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Hora do Chá


O Mestre José Salgueiro, ervanário e poeta, vai ao Músicaolargo no próximo Sábado, 30 de Janeiro, para dois dedos de conversa com o pessoal e para falar das suas paixões: as ervas medicinais, as palavras e a vida! Se o(a) meu (minha) caro(a) leitor(a) não for, vai ficar mais pobre. O Mestre José Salgueiro é uma enciclopédia viva e uma das personalidades mais fascinantes da nossa terra!
O chá começa a beber-se às 21 horas, na sede do Coral de São Domingos, no n.º 19 do Largo da Matriz.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Selos... não. Ponto



Desde meados de Dezembro que não há selos de correio para venda aos balcões da Estação dos CTT, em Montemor-o-Novo. Não há selos de correio numa Estação de Correios?! Não. Mas há livros, filmes, CDs, telemóveis, entre outros produtos PRÓPRIOS para uma Estação de Correios! Qualquer dia poderemos até  comprar um quilo de tangerinas. E selos? Não, selos é que não!
Eu não acho muito normal. E vocês?


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Cávamosandandoacaminhodoprimeiromilhão




Astérix: 22.998.º visitante.
Obélix: 22.999.º visitante.

Ideiafix: 23.000.º visitante!


O prémio é teu!





Música no Palácio




O Coral de São Domingos vai ao Palácio de Queluz, no próximo Domingo, para um concerto com o Grupo Coral de Queluz. Começamos às 17 horas.... Claro que vai aparecer! Até lá!



terça-feira, 19 de janeiro de 2010

As crianças e a nova lei das uniões


Aprovada a proposta do Governo que legaliza os casamentos homossexuais, a questão complica-se no que se refere ao direito de adopção. Este é um ponto mais sensível, porque dele vai depender não a vontade e a orientação sexual de adultos que fazem o que bem entendem com quem entendem, mas a construção do ambiente mais adequado possível para o crescimento, formação humana, espiritual e também sexual de crianças. Estas necessitam de modelos diferentes de comportamento para que as suas escolhas se possam manifestar de forma natural.

Uma criança, que cresça numa família com dois pais ou duas mães, terá, forçosamente, influências diferentes daquelas que receberão as que cresçam no seio de uma família chamada tradicional. Não é uma opinião. É um facto. Mas surge o clássico dilema, radical e que não ajuda muito a encontrar uma resposta sensata: o que preferimos? Crianças na rua, abandonadas, mal-tratadas pela família de origem ou, em alternativa, adoptadas por um casal homossexual? A questão não pode nunca colocar-se desta forma, porque peca por demagógica e tira seriedade aos que defendem a causa.

Há, no entanto, uma perversidade em toda esta problemática: as mulheres podem engravidar, mesmo sendo casadas com outra mulher. Não poderão ter o filho, criá-lo e educá-lo, mesmo vivendo com outra mulher? Muita tinta há-de correr sobre esta temática e ninguém se vai entender tão depressa. Uma coisa é certa: as crianças merecem ser felizes.



domingo, 17 de janeiro de 2010

Um craque que vale milhões!


Hoje é dia de se falar de assuntos bonitos. E o futebol é um deles, desde que seja jogado pelo Pedro (o craque da foto, em gesto de liderança) e pelos seus amigos da grande equipa do Almansor Futebol Clube. Estão neste momento em Viana do Alentejo e espero que... a ganhar!


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Um próspero 2060


(Foto: Joaquim Serrano)

Estive quase a começar este arrazoado de ideias como se estivéssemos em Janeiro de 2060. Daqui a 50 anos, se a imaginação nos ajudar, podemos acreditar que grande parte da crise que o país vive hoje vai estar completamente sanada. O desemprego já não passa de uma má recordação, Sócrates também, e o poder deixou de estar na mão de políticos que não o sabem usar em proveito do país.

Os professores voltaram a ser uma classe profissional respeitada pelo ministério da educação, os competentes continuam o seu trabalho sem sobressaltos e os incompetentes deixaram de fingir que são competentes porque foram obrigados a mudar de vida. Bem como os engenheiros e arquitectos, médicos e funcionários das repartições públicas, e outros, que lidam directamente com o bem-estar dos cidadãos. As escolas, finalmente, têm condições para poder concretizar as mil e uma actividades que os nossos alunos merecem, com a certeza absoluta de que aquilo que estão a fazer serve mesmo para o seu futuro e para a sua formação humana, cívica e intelectual.

A União Europeia entendeu que é fundamental cada país aproveitar ao máximo os seus recursos naturais e, por isso, Portugal voltou a cultivar os campos e as hortas e os pomares e os montados e os olivais… Os reformados vivem com o conforto e a reforma suficientes para poderem gozar tranquilamente os seus últimos anos de vida. Os passadores de droga, os violadores e os corruptos de colarinho branco, e com outras cores no colarinho, estão de facto presos e sem hipótese de repetirem os crimes pelos quais foram pesadamente condenados. Os polícias e as restantes forças da autoridade podem usar pistolas em vez de walkie-talkies para se defenderem e defenderem os bens dos cidadãos.

Não há velhos e novos a viverem nas ruas das grandes cidades. Não há crianças com fome, a dormir ao relento ou em vãos de escadas. As fábricas, fechadas durante o consulado de Sócrates e seus amigos, voltaram a abrir, os desempregados voltaram a ganhar o pão de cada dia e a poder cumprir os seus compromissos. O acesso gratuito aos cuidados de Saúde e à Educação é, agora, um direito de todos os portugueses.

O Presidente da República foi substituído pelo D. Afonso de Santa Maria, Príncipe da Beira e duque de Barcelos, filho de D. Duarte Pio de Bragança, já falecido, e os portugueses concluem que não há diferença entre um P.R. e sua Majestade, porque as funções, quer de um quer de outro, são meramente de adorno e atracção turística.

Mas não. Não estamos em 2060. Estamos em 2010, ainda em pleno exercício do Governo socialista que, gritando ser vítima de cabalas, perseguições e má-fé, continua a governar não se sabe ainda bem como nem porquê. Talvez porque o Presidente da República também não veja alternativas quando, em Abril, tiver de dissolver o Parlamento. Acusam-me de ser pessimista. Que não se confunda pessimismo com a verificação da incompatibilidade a que se assiste entre os actuais políticos e o país. E, sim, o Governo e o país são incompatíveis.

Nota breve: quando chegarmos a 2060, iremos decerto comemorar o centenário de um dos edifícios mais emblemáticos da cidade de Montemor-o-Novo, o Cine-teatro Curvo Semedo, para compensar a aparente ausência de comemorações em 2010, marco dos seus cinquenta anos de vida. Tenho pena porque, nessa altura, já cá não estarei.




sábado, 9 de janeiro de 2010

Olha que dois!


Um obrigado aos 22.222... teimosos!
Entrem e fiquem à vontade!




E agora falemos de homens constipados (uma questão realmente séria!)



Sátira aos homens quando estão com gripe

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão,
Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele,
Grito de medo, chamo a mulher.

Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.

Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças,
Tigres sem listras, bodes sem tranças,
Choros de coruja, risos de grilo,
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo.

Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.

Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

António Lobo Antunes



quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

E agora falemos de um livro



Dispostos
a
ser

rastilho
chama
e
fogo

nunca
cinza

(gente povo todo o dia, p. 195)

Ler o poema gente povo todo o dia, escrito por Filipe Chinita há trinta anos, não é a mesma coisa do que ler o texto nesse tempo.
Podemos inferir desta breve introdução que o autor parece enganar involuntariamente o leitor, visto o tempo de escrita e o tempo de leitura serem afastados e, aparentemente, díspares. Digamos que não é justo condicionar sentimentos através da literatura utilizada como… controlo remoto em direcção ao futuro. Então, assim sendo, outros nomes das letras portuguesas e mundiais estão no mesmo patamar em que se encontra Filipe Chinita: não de condicionadores da mente, não de mentirosos de papel, muito menos de visionários de pacotilha. Deixa-nos voltar atrás no tempo, Filipe! E ir contigo para os comícios, participar nas sessões de esclarecimento, fervilhar na ocupação das terras, correr para as sessões de alfabetização! Então, aí, a nossa leitura e o nosso envolvimento seriam diferentes. Mas tal não é possível.

Para o caso, nada está perdido. Soeiro Pereira Gomes, Manuel da Fonseca, José Cardoso Pires, e, por que não, Charles Dickens e William Faulkner, também têm, hoje em dia, leitores fervorosos, que nunca viveram no tempo da produção das suas obras. Foram os textos que, atravessando os tempos devido à sua permanente actualidade literária e, sobretudo, temática, se atiraram para as mãos e para os olhos dos leitores e, desta forma, foram permanecendo vivos, livres e actuais. Embora sendo participantes de um exercício profundamente político, os textos destes (e de outros) autores não se ligavam claramente a um determinado partido, embora não fosse difícil adivinhar as tendências de alguns deles. Ora, Filipe Chinita, pelo contrário, assume o seu poema como um texto escrito por (porque o foi) um revolucionário a tempo inteiro, ao mesmo tempo que se fazia a revolução, sobretudo a revolução agrária no Alentejo.

Então, como ler um texto partidariamente engagé, quer pelo tema focado, quer pelo assumir do autor? Como receber (entrando no campo da estética da recepção) um poema visivelmente comunista, sem ser tocado, nem pela mística que dele emana, nem pela imbecilidade da indiferença? Julgo que é simples encontrar a solução. Basta percorrer o poema (ouvi-lo dito pela Fernanda Lapa não será suficiente, dada a necessidade absoluta de se olhar para ele) como ele foi reescrito – em verso democrático, isto é, construído cada um deles, apenas e só, com uma única palavra. Vou tentar explicar melhor.

Na apresentação em Montemor, no dia 3 de Dezembro, o autor falou na génese do texto, revelando (e que revelação!) que só recentemente o tinha transformado no poema com a "imagem" actual, visto ter sido escrito em versos mais longos, quase como uma prosa “corrida”, sem outras preocupações que não fossem a de “gravar” no papel a realidade de então, filtrada pelo poeta-militante-revolucionário. Afinal, aquele esclarecimento de Filipe Chinita, casual e quase romântico, convidar-me-ia a pensar em duas problemáticas ligadas à literatura e à psicanálise, mas sem enveredar qualquer militância freudiana ou algo semelhante.

A primeira questão mostra que, para além de poder ser integrado, sem muitas reservas, no painel dos autores neo-realistas, também deve partilhar com outros escritores, sobretudo norte-americanos dos anos 50, uma estratégia narrativa muito especial e bastante contestada. Esta técnica, muito próxima do stream-of-consciousness, vem, na tradição de Allen Ginsberg e Jack Kerouac, ajudar a tornar a narrativa mais espontânea, ficando desta forma o leitor mais próximo do aparente estado de alucinação criativa que domina por completo o autor-narrador-quase-personagem de gente povo todo o dia.

A segunda questão prende-se, igualmente, com a forma aparentemente fragmentada do poema, outra prática utilizada pelo autor, mostrando ele ter consciência apenas do seu resultado em termos visuais e, consequentemente, estéticos, parecendo esquecer a sua eficácia em termos de fragmentação do texto. É neste esquecimento que se revela o homem Filipe Chinita, autor de um texto original mais parecido com prosa que, pseudo-adormecido no seu subconsciente durante trinta anos, vem à superfície numa forma bem visível de poema. O texto, assim fragmentado, acaba, ainda que tal seja discutível, por revelar o homem e o poeta, dividido entre um texto quase-prosa, escrito em desassossego, durante dois anos de profundas alterações sociais e económicas no Alentejo, e o poema-de-uma-palavra-por-verso de um conteúdo avassalador, publicado depois da queda do Muro de Berlim.

Tivera eu acesso ao texto anterior e confirmaria, vermelho no branco, em como o texto deste longo poema é um duplo do primeiro mas que, nas mãos do Filipe, não deixou de ser menos revolucionário. Porque sei que o Filipe e outros como o Filipe continuam “dispostos a ser rastilho chama e fogo nunca cinza”.

A ler. Sem sombra de dúvida.

Filipe Chinita, gente povo todo o dia
Edições Avante, Lisboa, 2009



sábado, 2 de janeiro de 2010

Estes dois estão feitos ao bife...



















O padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europeia Antipobreza, referiu hoje num programa da manhã da RTP1 que o pároco da Sé Catedral do Funchal, Manuel Martins, tinha sido desterrado para Machico e Riberia Seca, após ter denunciando publicamente o aumento significativo dos  indíces de pobreza na Região Autónoma da Madeira. Jardim Moreira referiu que o colega foi alvo de uma investigação por parte do Governo Regional com o objectivo de saber se ele era comunista.
Desculpe, padre Jardim Moreira, mas o senhor deve estar enganado. Alberto João Jardim não seria capaz de uma atitude dessas. E, depois, a Madeira é um paraíso.
Ora (re)veja aqui:
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?t=Conego-da-Se-Catedral-do-Funchal-deslocado-apos-alerta-para-pobreza-na-Madeira.rtp&headline=20&visual=9&article=307370&tm=8

 
Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República, afirmou na sua mensagem de Ano Novo: "(...) Com este aumento da dívida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva. (...) Não é tempo de inventarmos desculpas para deixarmos de fazer o que deve ser feito. Estamos perante uma das encruzilhadas mais decisivas da nossa história recente. É por isso que, em consciência, não posso ficar calado (...)."

Após esta quebra definitiva do pouco verniz institucional que ainda conseguia aguentar-se,  fiquei a pensar para onde enviará José Sócrates o Presidente da República? Para a Assembleia de uma Junta de Freguesia do Alentejo profundo?

(O Carlos Acabado escreveu assim... aqui: 
http://oquistodidactico.blogspot.com/2010/01/estao-ao-rubro-as-lucubracoes-em-torno.html)




sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Ano Novo em Portugal



Isto é o túnel em que nos encontramos. Conseguem ver alguma luz ao fundo? Nem uma pequenininha? Eu também não.
Boa sorte, Portugal.

Distraídos crónicos...

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