quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Venha o lombo!



Obrigado aos visitantes solidários para com o dedo e respectiva proprietária. A tragédia não voltará a repetir-se.
A fofa preveniu-se...

sábado, 26 de dezembro de 2009

Tragédia no Jantar de Família do Dia de Natal


O Jantar de Família do Dia de Natal, costumeiro neste mesmo dia (senão não se chamaria assim), em nossa casa, às 20 em ponto, ficou ensombrado pela tragédia, devido à desatenção do Menino Jesus. O Miúdo, com tanta gente à volta, tornou-se humano por breves momentos e não protegeu quem, na cozinha, trabalhava para aqueles galifões: a minha fofa e a sua mana preferida. Pois foi exactamente no momento em que a minha fofa estava a cortar o lombo para levar à mesa, onde todos já salivavam, impacientes, que cortou também o que não devia: o dedinho indicador da mão esquerda que, depois de devidamente tratado, ficou com o aspecto que podem ver. Após os ânimos serenados, e regressados que estavam todos aos respectivos lugares, o lombo foi servido, acompanhado de frutas e legumes.
Minutos depois, notei a minha prima de Lisboa a mastigar durante demasiado tempo o que deveria ser uma fatia de lombo tenro e suculento. Lombo não era certamente e a fruta não sabe assim.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Um Natal Fixe!!






A história desta música está repleta de reinvenções à volta da sua origem. Dizem os académicos que Franz Gruber, o autor, recebeu na véspera de Natal, em 1818, das mãos do padre da sua igreja, a Igreja de São Nicolau, em Oberndorf, na Áustria, o poema Stille Nacht da autoria do jovem pastor Joseph Mohr. Objectivo: compor uma canção a duas vozes com coro e acompanhamento de guitarra. E está provado que a música foi entregue nesse mesmo dia e estreada na Missa do Galo.
Uma versão mais romântica, e que se tornou a minha preferida, conta a história de um humilde organista da Igreja de São Nicolau que, durante o ensaio do coro para a Missa do Galo desse Natal, em 1818, verificou que os foles do órgão da igreja estavam roídos pelos ratos e que, assim, não poderia acompanhar a cerimónia religiosa. Como a aflição é mestra de engenhos, Gruber pegou numa pauta e numa pena e rabiscou uma canção a duas vozes sobre um poema de Joseph Mohr, para ser cantada nessa mesma noite, acompanhada a guitarra.
Independentemente da verdade dos factos, a Stille Nacht (Silent Night, Voici Noël ou Noite Feliz) espalhou-se por todo o mundo e vai ser hoje cantada em dezenas de línguas diferentes em todo o planeta.
Então, e já que não pode deixar de ser, um Natal Fixe aos que passarem por aqui!


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Música de Natal no Lar dos Foros












No dia 12, momentos antes de partir para Évora, para dar início ao Cante ao Menino, o Coral de São Domingos esteve no novo Lar da Santa Casa da Misericórdia, em Foros de Vale de Figueira. Para além da música e da poesia, houve encontros inesquecíveis com velhos amigos e amigas que, para além do concerto, apreciaram o convívio e a troca de novidades. Cantou connosco a senhora D. Maria Bárbara dos Santos, utente do Lar e um dos elementos fundadores do Coral de São Domingos. Momentos fantásticos!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Presépio ao vivo



Terminou hoje a apresentação do Presépio ao Vivo pelo Agrupamento de Escuteiros 894 de Montemor-o-Novo. Este notável trabalho de encenação e composição de personagens, evocando os momentos mais importantes da infância de Cristo, esteve patente no monumental espaço da Igreja do Convento de São Domingos, aqui em Montemor-o-Novo, um remake da iniciativa levada a cabo há mais de uma década. Magníficos actores! Excelente trabalho! Agora já não vai a tempo! Fique com esta foto, roubada da colecção publicada aqui: http://sites.google.com/site/geral894/


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Referendar o... quê?


Quando o Governo ou a Oposição querem decidir sobre algumas questões a que chamam fracturantes, refugiam-se na ideia do referendo. Sobretudo quando, subjacente a um determinado tipo de comportamento, está a temática da (que horror, senhoras e senhores!) sexualidade. Assim se fez com a questão do aborto e agora se quer fazer com o casamento (união oficial, chamem-lhe o que quiserem) de duas pessoas do mesmo sexo. Continuam, Governo, Oposição e uma parte dos cidadãos, preocupados com alguns sopros de pseudo-moralidade lançados por alguns sectores da sociedade. Por isso, atiram a decisão para o resultado de uma ida às urnas, o que, ainda há-de vir a saber-se, é uma modernice democrática que não representa de modo algum a vontade de um país.


Para mim, e penso que para a maioria dos portugueses, é-me absolutamente indiferente se duas pessoas (do mesmo sexo ou de sexo diferente) queiram fazer vida de casal perante a lei. O Estado, cada vez mais intranquilo com a sua perda de autoridade e, consequentemente, muito mais controlador, quer legislar, mais uma vez, a forma como os portugueses usam o corpo. Claro que defendo a chamada família tradicional, com um Pai (ele), uma Mãe (ela) e Filhos (eles e elas), mas não condeno – não é do meu feitio – quem pensa e se comporta de maneira diferente. Sou contra, isso sim, um referendo em que uma maioria vai decidir a vida de uma minoria (como, aliás, acontece sempre).

Algumas figuras da nossa praça alegam, com firmeza, que essa legalização, a acontecer, representa uma ameaça pendente sobre a família, sendo até (imaginem) impeditiva da continuação da espécie. Não sejamos ingénuos. Desde que o homem e a mulher caminham sobre o planeta que tem havido as mais diversas opções sexuais. Não será a legalização das relações, chamemos-lhes, minoritárias, que vai aumentar ou diminuir a população mundial. Poderá aumentar, sem dúvida, a capacidade de tolerância de muitos de nós que, assumindo uma atitude vitoriana quando nos pedem uma opinião sobre assuntos melindrosos e inquietantes, preferimos não ir contra o que a moral e a religião condenam. Não estou para isso.

E, já agora, espero que, ao lerem este texto, as associações defensoras destas uniões não me considerem sócio ou cidadão honorário de um Clube especial ou de um qualquer País das Maravilhas. Dispenso homenagens, sobretudo as duvidosas. Em suma, defendo a realização do único referendo realmente importante: um que sirva para sabermos se vale a pena fazer referendos com o objectivo de o Estado ter autoridade sobre a vida privada de cada um.






domingo, 20 de dezembro de 2009

Tradição cumprida














Ver as imagens não é o mesmo que ter lá estado, com a temperatura a zero graus, antecipando a vontade de beberricar o chocolate quente servido lá mais para o fim da noite. Mas pronto. Servem para dar uma ideia...
Foram mais uns Cantares ao Menino, como pretexto para um passeio nocturno pela cidade, isto para não falar do reencontro de amigos e da interpretação de velhos clássicos de Natal que, nesta altura do ano, não sei porquê, vêm mesmo a propósito. 
Sentimos a falta de alguns amigos e amigas que costumam juntar-se a nós nesta iniciativa. Para o ano não começamos sem vocês.


sábado, 19 de dezembro de 2009

Boas e tântricas festinhas


Nááááá! Isto do Natal já não me convence. Esta coisa das Boas Festas e tal, beijo para aqui, cartão para ali, telefonemas e mensagens, o pessoal muito feliz e mánasêquê, é tudo muntolindo mas torna-se perverso e nem sempre resulta. Eu, por exemplo, recebo todos anos as Boas Festas de pessoas que se dizem minhas amigas mas que… nunca se sentaram à mesma mesa que eu. E eu tenho para mim que as amizades também se medem pela partilha de uma mesa (e, por vezes, de outras peças de mobiliário), momentos em que os gostos gastronómicos, comuns ou não, podem dar uma enorme ajuda na descoberta da personalidade do outro. Lá explica o ditado popular (se não explica, devia explicar) “diz-me o que comes e dir-te-ei quem és”.


Portanto, os meus amigos e os que, nesta época, fingem que são meus amigos, por favor, não me enviem cartões, não me telefonem, nem me mandem aquelas mensagens muito duvidosas de Boas Festas. Lá está: a Noite de Consoada é para passar com a família e não para estar, entre a couvada e o peru, ou entre o marisco e a açorda, a escrever e a ler mensagens de Natal que, muitas vezes, são um oceano de erros ortográficos, de sintaxe e de concordâncias verbais.

Poupem-me, porque a minha pausa lectiva natalícia é mesmo sagrada


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Cantares ao Menino em Montemor


A VIII Edição dos Cantares ao Menino aí está.
Sábado, 19 de Dez., pelas 21 horas, o Coral de São Domingos começa a jornada musical no átrio da Câmara Municipal e termina na Igreja da Misericórdia, depois do habitual passeio musical pelas ruas e largos do Centro Histórico. A seguir, há chocolate quente no Musicaoalargo, no outro lado da rua.
Venha celebrar o Natal com música! Até breve.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Fernando Palacino: culpado!



Carlos Guilherme, Anabela e a Banda de Lavre executaram ontem um concerto cheio de complexidades harmónicas, melódicas e rítmicas. O momento alto foi, sem dúvida, o clássico da literatura musical norte-americana de Leonard Bernstein, falecido em 1990 e que continua a não dar descanso aos que gostam de interpretar a sua música. Sabemos que amadores e profissionais gostam de aceitar desafios arriscados e, por vezes, controversos, não apenas pela complexidade dos temas, mas também devido ao conhecimento que o público tem de interpretações exímias de outros músicos e cantores, praticamente "inultrapassáveis" em qualidade, tanto técnica como artística.
No caso de ontem, no Cine-teatro C. Semedo, esse risco foi minimizado, direi mesmo anulado, pelo rigor que Fernando Palacino utilizou na direcção, tanto dos músicos como dos solistas que, e foi visível, confiaram cegamente nos seus gestos, na sua dinâmica e na sua leitura da obra. Interpretar aqueles excertos do West Side Story foi mais um passo em frente, dado com perícia e sentido de responsabilidade, que vai ficar para a já ríquíssima História da Banda.
Anabela e Carlos Guilherme estiveram bem.
A Banda de Lavre superou as expectativas.
Fernando Palacino mostrou estar ao nível dos grandes directores de orquestra. Para mim não foi novidade.




quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Música a 12 de Dezembro



Coral de São Domingos, em Évora, pelas 18.30
Escadaria da Sé, ruas do Centro Histórico e Igreja de Santo Antão

 Anabela e Carlos Guilherme cantam com a Banda Filarmónica da Casa do Povo de Lavre
 Montemor-o-Novo, 21.30, no Cine-teatro Curvo Semedo


terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Figurinhas


Triste, triste foi a figura que fizeram, em directo para a minha sala de estar e para o Mundo, o nosso Presidente e a primeira-dama na cerimónia de inauguração da Árvore de Natal do Palácio de Belém. Senti-me transportado às visitas de Estado de Américo Tomás e de Marcello Caetano, em mil novecentos e troca o passo, nas inaugurações do regime, quando os pais e as mães punham os meninos e as meninas a jeito para ganharem um beijinho (argh!!! credo!!!) de tão ilustres figuras. Estas faziam o frete de aturar os piquenos, com sorrisos de plástico e acenos de marionete, enquanto colocavam perguntas que de inteligentes nada tinham. Foi o que aconteceu no dia 3 de Dezembro, na residência oficial da mais alta figura do Estado. Vivemos num país tão cheio de figurinhas de presépio…

domingo, 6 de dezembro de 2009

Onde está o presépio?


Largo das Palmeiras
Foto: João Pedro Simões

Depois de montado com a devida antecedência (já não era sem tempo), o sistema de iluminação está pronto para receber o tempo de Natal. A zona histórica da cidade transforma-se, desta forma, durante algumas semanas, num novo cenário que, como é natural, não pode agradar a todos. Vão levantar-se vozes críticas, questionando a autarquia se não havia coisa mais útil em que utilizar o dinheiro. Claro que, se não houvesse iluminações, outras vozes (quem sabe se as mesmas) perguntariam por que não havia iluminações se havia dinheiro para tantas outras coisas. Assim, antes ser preso por ter do que por não ter… luzinhas de Natal.
Mas há um largo, histórico, imponente e o mais exótico da urbe, que vai continuar às escuras neste Natal. Palco dos festivais internacionais de folclore, no mês de Agosto, o Largo das Palmeiras (Praça Dr. Miguel Bombarda) que, em tempos, foi uma das mais movimentadas da vila, merecia sem sombra de dúvida um tratamento mais… iluminado. Quem sabe se, para o ano, para além das luzes, ali possa fazer-se a encenação de um Presépio ao vivo e a cores, com a preciosa ajuda dos actores do nosso concelho? Aqui fica a sugestão de um morador do largo, e que eu subscrevo de forma absoluta.


sábado, 5 de dezembro de 2009

Saudações nos tempos modernos...



(Obrigado Zé Neves e desculpa a utilização abusiva do boneco.)

... E que não se tome a parte pelo todo!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Carmen seduz São Domingos



Hoje apetece-me recordar o serão de 21 de Novembro - o Coral de São Domingos canta a Habanera, com a mezzo-soprano Larissa Savchenko.
Bom feriado.

domingo, 29 de novembro de 2009

Fome em Portugal



Os portugueses não querem um Estado-providência. Querem um Estado consciente com  políticos inteligentes que ajudem  -  DE FACTO - os que mais precisam.
Os governantes têm de começar a acreditar que num país onde há fome não pode haver evolução.
Só revolução.
(Saúdo todos os voluntários que, neste fim-de-semana, deram o melhor que têm dentro si. )


sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Estamos feitos...


... ao bife

(Estive a ouvir o debate na Assembleia da República e não consegui chegar a outra conclusão. Lembrei-me de avisar quem passar por aqui.)


quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Chega de comemorações...


... porque continuamos a viver num quintal muito mal frequentado. Só o nosso Primeiro parece viver no Jardim do Éden. O senhor não anda nada, nada bem! Não concordam? Dou um exemplo: o Estatuto da Carreira Docente "não era negociável". A avaliação dos professores "não seria alterada numa vírgula". Disse ele, talvez para agradar à sua amiga, a Dona Maria de Lurdes de tristíssima memória.
Cá para mim, o moço não se aguenta até Abril. Lá vamos levar com o Assis, que anda a engraxar o chefe de forma descarada ou, quem sabe, com o Costa da CML... É-me indiferente. Vamos continuar a ser governados por autênticos protagonistas de um filme de desenhos animados. Só que este sem qualidade.


Dezanove mil maradosdasideias!


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Coral de São Domingos brinda à ópera!


Lá estará para cantar com a Orquestra Sinfónica do Ginásio Ópera e com os solistas Ana Paula Russo (soprano), Larissa Savchenko (meio-soprano), João Rodrigues (tenor) e Diogo Oliveira (barítono).
Dirige o Maestro Kodo Yamagishi.
Vai ser uma noite absolutamente fantástica.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

A bomba!


Don Dellilo está em Portugal como membro do Júri do Festival de Cinema do Estoril. O conceituado escritor Norte-americano aproveitou a sua presença no nosso país para lançar a tradução portuguesa do seu último romance protagonizado pelo político mais mediático do momento em Portugal. Estive lá e pedi um autógrafo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Já estamos mais descansados!



N. do Nascimento mandou destruir a cassete com as escutas referidas anteriormente. "Tal como no caso do senhor Primeiro-ministro, também não encontrei qualquer indício que incrimine essa senhora. Daí ter decretado a destruíção do material gravado", referiu. Pronto, acabaram-se as suspeitas. Estamos todos muito mais descansados.

sábado, 14 de novembro de 2009

Fofices


Cá em casa, a minha fofa tem tido um comportamento assaz bizarro. Cada vez que atende o telefone ou faz uma chamada, começa sempre por lançar um cumprimento bem-disposto, assim do género: “Muito bom dia a todos os senhores inspectores e agentes que me escutam neste momento. Bom dia também ao sr. Vara, ao sr. Pinto de Sousa, à D. Maria e ao sr. Cavaco, porque eu não sei se estão em modo de conferência em alegre cavaqueira (peço perdão!)". E depois, ouço-a acrescentar: “Não gastem cassetes comigo porque estou só a telefonar à minha mana a pedir-lhe que não se esqueça de me devolver o rímel e as luvas que lhe emprestei para ela ir a uma festa a Cascais, ao palacete das tias do lado do nosso pai.”

Nem me atrevo a comentar. A minha fofa, ultimamente, tem andado com azia. Não foi convidada para a festa das tias de Cascais.




sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Orfeon Montemorense


Celebro os 18 000 leitores com esta raridade. Mão amiga fez-me chegar a foto original, propositadamente guardada para ma oferecer. É a foto do ORFEON MONTEMORENSE, dirigido (segundo se pensa) por um professor do ensino primário, e que cantava em Montemor nos longínquos anos de 1921. A grande maioria dos cantores já não se encontra entre nós, mas fica para a posteridade este documento que comprova o gosto, desde sempre, dos montemorenses pela música coral.
Obrigado, José Bexiga, pela oferta!



quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Fora!!


Todos os dias são descobertos novos gatunos que têm levado o país ao estado miserável em que se encontra. Cada vez mais mal frequentado, tenho a impressão que Portugal deve ser a nação da União Europeia, ou lá como essa coisa se chama, com maior número de burlões por metro quadrado. E não estou a incluir os clássicos, não. Estou a pensar exactamente nesses senhores que os meus amigos estão a visualizar nestas entrelinhas. Pois claro: ex-ministros, ex-secretários de estado e outros parentes que tais, que continuam a chupar o povo até ao tutano. Fora com essa cambada! No entanto, e como já vai sendo hábito, mais uma vez há-de haver alguma alineazinha na Lei para safar essa gentalha. E se não houver, o Partido do Governo há-de alterar os artigos necessários. Não seria a primeira vez. Só que a coisa, agora, não será assim tão fácil.


quarta-feira, 11 de novembro de 2009

As semelhanças das diferenças


Claro que não me esqueci. O tempo é que não foi muito e só agora recordo por escrito a queda mais famosa do século passado: a do Muro de Berlim, faz agora duas décadas. Estive lá há uns anos, com o Coral de São Domingos, quando fizemos uma digressão à Polónia, em 2000, que cantou num concerto improvisado debaixo das Portas de Brandenburgo. Durante a nossa visita pela cidade nada foi mais emocionante do que tocar e ver a mais célebre construção que dividiu, entre 1961 e 1989, uma cidade, um país, um continente inteiro. Homens o construíram. Homens o derrubaram. Ideologias que hoje podem coabitar pacificamente, serviram então para, durante anos, colar nos cidadãos adjectivos terminados em -istas quando, afinal, tantos "os de cá" como "os de lá" foram (e continuam a ser) vítimas de regimes, cujos erros são comuns e cujas virtudes nem sempre são as mais apreciadas.
Um regime totalitário é sempre um regime totalitário. Presos políticos são sempre presos políticos. Campos de trabalhados forçados são sempre campos de trabalhos forçados. O culto do chefe é sempre o culto do chefe. Interesses instalados são sempre interesses instalados. O terror e a miséria são sempre o terror e a miséria. Tanto do lado de cá como do lado de lá. Nestas coisas (e noutras) não há diferenças entre os chamados regimes de Leste e os auto-proclamados regimes ocidentais.  Mas se o Muro caíu, não o voltem a erguer. E aproveitem para derrubar outros muros que, entretanto, se levantaram. Há muitos Berlins que florescem por aí. É tudo uma questão de semântica e de simpatias. É tudo uma questão de poder e de estupidez.




domingo, 8 de novembro de 2009

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Ousadias by J. Macedo


O reportório do recital desta noite na Igreja da Misericórdia é próprio para ser interpretado por grandes músicos. O João Macedo já é, sem dúvida, um grande músico. E a guitarra dele sabe disso. E se alguém do público tinha dúvidas, hoje ficou sem elas.
Destaque para a peça Elogio a la Danza, do cubano Leo Brouwer. Ousada na partitura. Ousada na execução. Grande momento. Obrigado, miúdo!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Caravela e Casquinha recordados amanhã na Biblioteca Municipal


Há alguns anos, ainda estava na Direcção do jornal "Folha de Montemor", este vosso amigo e alguns colegas de redacção decidiram escrever, talvez, a reportagem mais importante dos, na altura, 10 anos e tal do jornal em questão: decidimos, após longa reflexão, contar cronologicamente a história do assassinato dos trabalhadores rurais António Maria Casquinha e José Geraldo Caravela. Produto de um trabalho de investigação, trouxemos para o papel, de forma organizada e coerente, a história desse crime, cujos agentes nunca foram condenados. Estive, inclusivamente, com o meu sogro em Vale de Nobre, revisitando o espaço e imaginando a acção com a ajuda de uma colecção de fotografias que nos tinham sido cedidas com o único objectivo de recriar jornalisticamente o acontecimento.
Infelizmente, questões de vária ordem levaram a que essa reportagem, pronta a ir para as rotativas, nunca visse a luz do dia. Foi publicada depois da minha saída da "Folha", mas de forma resumida e, consequentemente, incompleta.

Daqui a pouco, às 18 horas, o Filipe Chinita vai lançar no Auditório da Biblioteca Municipal a "Cantata Pranto e Louvor" em memória desses nossos conterrâneos, mortos em 1979. Já li o poema. Por isso, vou lá estar. Em jeito de homenagem.

Com um abraço aos ex-colegas que comigo colaboraram neste trabalho, deixo aqui o lead dessa reportagem, que deveria ter sido publicada no Jornal "Folha de Montemor" de Setembro de 1999, 20 anos depois dos trágicos acontecimentos:

"Falar de acontecimentos recentes não é fácil nem a exigente “cientificidade” da História a tal nos aconselha. Ainda assim, foi um risco assumido. Vinte anos depois daquelas mortes em Vale de Nobre, é quase uma obrigação moral falar delas. E assim, acreditámos que o afastamento temporal, ainda que, provavelmente insuficiente - insistimos - nos iria permitir fazer neste pequeno apontamento, sem qualquer presunção, uma exposição o mais objectiva possível, dos acontecimentos desse fim-de-semana longínquo mas ainda presente na memória dos milhares que nele participaram.


Para tal, socorremo-nos de dois ou três jornais dessa altura e de conversas soltas que fomos fomentando com amigos e familiares, depois de lhes contarmos o objectivo deste nosso trabalho, e com base numa entrevista que publicamos na íntegra, feita a uma testemunha ocular dos acontecimentos de Vale de Nobre e ferida durante os disparos. Tivemos a rara sorte de nos ser dado acesso a uma colecção de mais de uma centena de fotografias, propriedade do GDI da Câmara Municipal, preciosos e raros documentos, ajuda inestimável que vinham definitivamente ao encontro dos nossos propósitos.

O que nós pretendíamos era recolher testemunhos idóneos, isentos, claros, objectivos em suma, com o possível afastamento crítico, para podermos cumprir o nosso arriscado intento: relatar a trágica história desse fim-de-semana de 27 de Setembro de 1979. Vinte anos passados sobre a morte dos dois trabalhadores na Cooperativa Bento Gonçalves, em Vale Nobre, a 10 quilómetros de Montemor, o processo foi arquivado por falta de provas.

Se depois da leitura das linhas que se vão seguir, os mais velhos sentiram a memória mais fresca; se os mais novos ficaram a saber que a Revolução dos Cravos teve consequências imprevisíveis e houve quem pagasse com a própria vida os percalços dessa Revolução; se todos se consciencializaram que duas famílias ficaram destroçadas pela morte de um adolescente e de um adulto que caíram varados por balas, tombando por uma causa em que acreditavam; se conseguimos transmitir o nosso sentimento - porque os que escrevem nos jornais também sentem - de indignação porque ninguém ainda foi julgado por estes crimes, logo o nosso humilde desiderato foi cumprido.


E a história do último dia da vida de António Casquinha e José Geraldo Caravela começa, então, assim..."


domingo, 1 de novembro de 2009

Com pompa para o 17.000.º


Recebo com fogo de artifício o 17.000.º visitante desta espécie de Blogue. Vai ser servido um jantar num restaurante da minha cidade (só petiscos alentejanos, regados com vinho igualmente alentejano) logo que se revelem os 10 visitantes mais insistentes. Aguardo.


sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Lindo!



Cristiano Ronaldo acabou de falar na televisão. Em espanhol (pensa ele).



Grande coisa...


Andam os graxistas do PSD a dizer que o Prof. Marcelo é o candidato certo à presidência do esfrangalhado e autofágico PPD/PSD, que quase Deus tem.
Ora, não hão-de aqueles fofos querer o Marcelo!! Há quantos anos é que o senhor anda a fazer propaganda às suas teorias a coberto do Canal do Estado? Já ganhou! Já ganhou! Já ganhou!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Acredita e ficarás vacinado (São Mateus, 22, 3-4)


Já que o país anda todo aflito com a Gripe A, não seria inteligente considerar os professores como grupo de risco, já que convivem diariamente com centenas de alunos e colegas? Estarei a exagerar? Não estarão os histericozinhos, que para aí andam a vacinar-se publicamente à hora dos telejornais, esquecidos  deste grande (em tamanho e em importância) grupo profissional? Ou querem à viva força que o pessoal docente adoeça para o Estado Amiguinho poder poupar uns milhares de euros em subsídio de refeição?
Ou basta acreditar que não seremos contaminados nem contaminaremos a rapaziada que nos rodeia de manhã à noite? Eu cá acredito, mas já espirrei duas vezes. Não será a fé que me vai salvar.


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pois...


Com a nomeação da nova Ministra da Educação, é bem provável que haja abertura para as alterações necessárias naquela que é, actualmente, uma das áreas mais sensíveis com que o novo Executivo terá de lidar, o ministério onde assenta todo o futuro do país. As competências e as aptidões que os professores possam vir a conceder às próximas gerações de alunos dos mais variados graus de ensino podem condicionar, para o bem e para o mal, o país que desejamos ter. É na escola que tudo começa. E é da Educação que depende a felicidade de um povo, assente no progresso e na riqueza. Os políticos sabem disto, mas têm mostrado sempre muitoa relutância em aplicar estes princípios. A razão é simples: quanto mais culto um povo for, menos hipótese há para a instalação dos poderes totalitários.


O primeiro-ministro e uma pouco saudosa ministra Maria de Lurdes Rodrigues viveram num teimoso equívoco durante os últimos quatro anos. Que a actual titular da pasta seja verdadeiramente inteligente e sensata para se corrigirem os erros, fruto da arrogância e do desconhecimento. Os professores estão abertos a novas ideias. Mas que sejam realmente boas e com perspectivas de resultados reais e não ficcionados. Aguardamos com alguma expectativa. Pelo sim, pelo não, os cartazes e as bandeiras das manifs. ainda não foram definitivamente arrumadas.

Fica o aviso, senhora ministra Isabel Alçada: estamos fartos de Aventuras.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Eu cá sou do PPS




Deu origem a alguma troca de opiniões o pequeno texto inserido neste espaço, intitulado “O Partido Comunista e as Autárquicas” e publicado também no jornal "O Montemorense". Não me apetece estar agora retomar o debate e analisar algumas das absurdas conclusões de alguns comentadores, até porque o resultado local das eleições autárquicas serve para justificar o que escrevi. Crio eu, agora, a minha própria conclusão: afinal, 35 anos após o 25 de Abril, nem sempre é fácil expressar livremente as ideias, sem ser “colado” a partidos ou ideologias.

Se alguns dos meus leitores, críticos e atentos ao que escrevo, também quiserem emitir publicamente as suas opiniões, façam como eu: escrevam-nas nos jornais ou nos blogues. Caso queiram agradar aos líderes (sabe-se lá porquê) usem os jornais dos respectivos partidos ou mesmo os placards reservados à propaganda partidária. Destes dois últimos, não preciso. Eu não tenho que agradar nem desagradar. A ninguém. Se isso acontece é pura coincidência. Afinal de contas, por enquanto estou filiado num PPS, Partido de Pessoa Singular que, como o nome indica, só tem um militante: eu. E duvido que se aceitem mais associados. É que nas reuniões do meu partido costumamos pensar pela nossa cabeça.


São!
ADEUS!

Vai começar uma... aventura!

terça-feira, 20 de outubro de 2009

domingo, 18 de outubro de 2009

O lançamento...


... foi ontem, na Igreja de São Domingos, com gente que nunca mais acabava.

Obrigado aos que quiseram ir mas não puderam. Aos que puderam mas não quiseram. Aos que quiseram, puderam e foram. Todos estão no nosso pensamento. E o À MARGEM, com a força com que foi lançado, já circula por aí.
Ainda podem (re)ver o concerto aqui (com início aos 11 minutos):  http://www.coralsaodomingos.com/


 
 

quinta-feira, 15 de outubro de 2009



16.001 visitantes

(quem foi a gaivota que me embicou o número?)












Não fique à MARGEM!


17 de Outubro
18.00 horas
Convento de S. Domingos (Montemor-o-Novo)
Concerto de lançamento
Esperamo por si!
Até Sábado!

domingo, 11 de outubro de 2009

Carlos Pinto de Sá: o capítulo final


Como o previsto, Carlos Pinto de Sá ganhou a Câmara de Montemor, agora pela última vez. O PCP vai iniciar um período de reflexão que dará origem a uma criteriosa escolha do seu sucessor para o mandato a iniciar em 2013. Socialistas, Social-democratas e Centristas decerto também já pensaram nessa questão e preparam-se, também eles, para escolherem candidatos que possam realmente fazer frente ao futuro candidato comunista, para  que se cumpra o antigo desiderato de mudar a cor da Autarquia, vermelha desde 1974.
Não, não estou a andar depressa demais. É que em política, há questões que devem ser preparadas com muita antecipação e não em cima do joelho, como já vai sendo hábito em algumas sedes de campanha. E o que é importante é mostrar trabalho, projectos e ideias para o concelho, sobretudo ideias que criem postos de trabalho. Não me perguntem o que é preciso fazer, porque o político não sou eu.  Começou a contagem decrescente.
Um cumprimento para todos os eleitos e votos de bom trabalho e de muita dedicação à terra. Nós, os eleitores, vamos ficar atentos.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Nobel da Literatura 2009



Herta Müller
A escritora recentemente laureada nasceu na Roménia e foi, segundo a Reuters, reconhecida pela sua habilidade de descrever "a paisagem dos despossuídos". Censurada na Roménia pelo regime comunista de Nicolae Ceauşescu, foi viver para Alemanha em 1987.
Obra muito relativamente conhecida em Portugal. A ler, decerto, com urgência.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

António Salvado Simões: in memoriam



Sempre conheci o meu Pai a cantarolar. Juntar-se ao Coral de São Domingos, pensava ele, permitir-lhe-ia levar esse gosto mais a sério e passar de cantarolar a cantar. Mas, não foi só isso que lhe aconteceu. Desde o primeiro momento, o meu Pai estabeleceu uma forte relação com todo o grupo e ganhou uma nova família, que sempre o acarinhou e com ele partilhou muitas alegrias. Recordo o entusiasmo com que regressava dos ensaios, concertos e viagens. A felicidade com que nos falava do convívio e das aventuras vividas. As gargalhadas que dava quando, apesar de cansado, nos queria contar algumas peripécias assim que chegava. O gosto com que coleccionava os cartazes de divulgação dos concertos e organizava as fotografias.


A forte relação que o grupo também estabeleceu com ele ficou, para nós, bem patente na vossa presença e nas vossas palavras, e na preocupação e carinho com que o acompanharam, principalmente nas últimas semanas. Esperando que não me levem a mal, não posso deixar de destacar o João Luís que, para além das muitas qualidades que todos lhe conhecemos, deixou ainda mais clara, a grandeza do seu carácter, durante o último período da vida do meu Pai. Cervantes tinha razão quando dizia “Onde há música não pode haver coisa má”.

Todos partimos. A separação física é uma inevitabilidade. Ainda assim, o meu Pai, sempre tão cuidadoso com a sua aparência, levou com ele um último elo físico de ligação convosco, a camisa do C.S.D. Neste momento tão doloroso, a vossa amizade permite-nos dividir a nossa dor e as vossas palavras mostram que, através da capacidade que o meu Pai teve de nos e vos deixar recordações felizes, continua a existir depois da morte.

Não vos agradeço, porque a amizade não se agradece, mas envio-vos a todos um abraço muito sentido, em meu nome pessoal, da minha mãe, do meu irmão, da minha cunhada (uma verdadeira filha), dos meus sobrinhos e do meu sobrinho-neto, mais uma prova de que o meu Pai continua a existir depois da morte.

Paula Simões






sábado, 3 de outubro de 2009

De que partido é este poema?




Todas as Cartas de Amor são ridículas
Todas as cartas de amor são
Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.


As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.


Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.


Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.


A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.


(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)



Álvaro de Campos




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Nada a declarar (parte 3)


O mais velho, o João, é tão discreto que, apanhando o fotógrafo distraído, se escondeu. Mas é um dos vértices do trio. Não joga futebol. Canta. Em grupo, por causa de ser discreto.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Nada a declarar (parte 2)

A Joana tem o mesmo hobby do irmão. A mãe quis, em tempos, comprar-lhe umas sapatilhas de ballet. Mas ela pediu antes uns pitons. É cirúrgica nas jogadas. É discreta nas derrotas. É ainda mais discreta nas vitórias. Ah! E rivaliza com o irmão em termos de riqueza: amigos e amigas de qualidade. A maior parte tesouros comuns.

Distraídos crónicos...

Contador de visitas

Contador de visitas
Hospedagem gratis Hospedagem gratis

Arquivo do blogue

Acerca de mim

A minha foto
Montemor-o-Novo, Alto Alentejo, Portugal