domingo, 24 de fevereiro de 2008

A Farsa de São Pascoal


Bernardino Samina, seria impensável começar este breve apontamento de outra forma, criou no dia 23 de Fevereiro, no Cine-Teatro Curvo Semedo, em Montemor, uma personagem de difícil interpretação. Talvez a mais complexa da sua carreira de actor amador. Um risco que durou 90 minutos, resultado de um incomparável acto de coragem (e de consciência artística) e que teve o apoio, em palco, do restante elenco do THEATRON.
O preso/idiota/espertalhão PASCOAL, a personagem principal da comédia Farsa em São Bonifácio, um texto de autor anónimo adaptado por Maria João Crespo para esta produção do Theatron, veio recuperar, de certa forma, a tradição que vem do teatro vicentino, na figura do bobo, trazendo-me também à memória a personagem do jester, tão fascinante quanto perturbadora, figura fundamental em muitas peças de Shakespeare. Às duas figuras tudo era permitido pelo simples facto de serem, digamos assim, os idiotas de serviço.
Foi neste paradoxo que residiu todo o desenvolvimento da trama a que assistiu uma sala quase cheia: a figura com mais poder, o detentor de todos os segredos era, afinal, o mais humilde dos homens, o aparentemente menos brilhante em termos intelectuais, o sem-família e sem-tecto, o… parvinho da aldeia. Contudo, Pascoal, consciente das suas necessidades, observador e intérprete atento dos vícios e das misérias dos outros, fez da sua condição de marginal a origem dessa esperteza. Conseguiu, assim, usando de estratagemas que nos fazem lembrar os das personagens vividas pelo saudoso actor António Silva, dominar todos os outros elementos daquele grupo, atormentados com defeitos e vivências passadas que não queriam ver regressar. O idiota de serviço transformou-se, graças à sua inteligência, e à natureza humana, na voz da consciência de cada um.
Todo o elenco merece o nosso aplauso. Mas Bernardino Samina esteve incomparável: na géstica, na voz, nos apartes e, sobretudo, na componente trágica que conseguiu manter de forma constante na interpretação da sua personagem, mesmo quando arrancava do público as gargalhadas mais espontâneas.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Estou triste


Tive um sonho mau e que me parece premonitório: sonhei que se tinham acabado nas tascas deste país as perninhas de rã, o carapauzinho de escabeche com dois dias de exposição e as iscas com muito alho e louro a gosto. Que tinham passado a contrabando os copo de vidro de 3 e de 5 e que os traçadinhos eram vendidos às escondidas. Que se tinham finado os croquetes de bacalhau à antiga portuguesa, as tiras de choco e a orelha de porco de coentrada. Que passaria tudo a ser confeccionado, embalado e entregue ao domicílio por empresas especialistas, tudo sem micróbios, sem bactérias, sem sabor.
O que se acabou mesmo foi o CD pirata, o filme corsário e o frango com pó de feira. Acabou-se o cigarrinho fumado com prazer, com os amigos, à mesa do café, depois de uma bifana no prato, de uma mariscada ou, simplesmente, depois do cigarro fumado antes. Portugal castiço está a sucumbir às mãos desse exército anti-Portugal à maneira, que nos vai deixar a todos embalados, limpos, desinfectados e… tristes.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Estou incrédulo *


Contaram-me que vai ser proibido usar engodo e isco nas pescarias. Consta que os pescadores de água doce, em cuja classe me integro com muito orgulho, vão passar a utilizar o telemóvel para, qual Santo António modernaço, contactarem os peixinhos: “Olá, senhor Barbo, eu sou o Jonny e quero pescá-lo. Não o posso encharcar de engodo, nem usar aquelas larvas das moscas varejeiras por causa da ASAE que não quer que lancemos detritos para dentro das albufeiras. Quer vir dar uma mordidelazinha no meu anzol? Obrigado. Eu espero!.. Ai, agora não pode ser? A sua mulher está a desovar… pronto, fica para a próxima. Ouça, pode dar-me o número da D. Carpa Inglesa que deve andar por aí? ’Brigadinha!”
* Este é, provavelmente, o texto mais idiota que escrevi. "Não sejas tão optimista", dirão vocês. "O 'provavelmente' não faz lá falta nenhuma."

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Estou com um enorme ataque de riso


Os ministros da Saúde e da Cultura saíram sem honra nem glória, deixando atrás de si um passado de asneiras infindáveis, com despedimentos, encerramentos e até momentos dramáticos pelo meio. Foram embora. É a história das moscas. Umas saem, outras entram. Mas há sempre qualquer coisa que se mantém. É a velha história.
Quem será a próxima a sair? Quem? Quem? Ná… Não vamos ter essa sorte.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Estou com um ataque de riso

Nos idos anos 80, o Eng. Sócrates assinou uns projectos de umas casas manhosas, tristes, sem graça nenhuma, o que não abona muito em seu proveito. Se calhar, os recém-licenciados deviam só arranjar emprego quando tivessem aquele diploma das Novas Oportunidades, que é quando já têm alguma experiência de vida. São feios aqueles prédios e não parecem muito de confiança em termos de robustez. Estão como o país. Mas eu não acredito em coincidências. O técnico é o mesmo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

"Estou sim? Daqui é a Pamela!"




Foi assim, como se lê no título, que começou a nossa conversa telefónica. Como não conheço nenhuma Pamela que me fale ao telefone com a voz sensual daquela Pamela… desconfiei.
Queria fazer-me um teste de cultura geral. Mas, antes, perguntou-me o nome completo, a idade, a profissão, o estado civil, o meu ordenado, o endereço, as minhas aptidões em vários campos. Fez-me perguntas a que qualquer miúdo da pré-primária responderia e, depois, disse-me: “Parabéns!!! Você foi o único que, até agora, respondeu a todas as questões! Amanhã vão aí a casa dois senhores, devidamente credenciados, entregar-lhe o seu merecido prémio e para conversarem um pouco com o senhor por causa de um apartamento no Algarve”. Respondi que sim, que estaria lá com o meu Rottweiler (que comeu uma orelha à pobre Laika, faz hoje uma semana), uma espingarda de canos serrados e mais dois soldados da GNR para os receber.
Ninguém apareceu. Pergunto-me porquê.
E a Pamela, a marota que ao telefone me achou tão simpático e atraente (só mesmo ao telefone), nunca mais telefonou. Eu que até a tinha convidado para um lanche romântico, ao cair de uma destas tardes, na exótica esplanada da Sociedade Recreativa cá do burgo…

Distraídos crónicos...

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